quinta-feira, 6 de setembro de 2012
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Cela
O Homem não é livre a partir do momento que tem consciência, pois esta nada permite que não seja ponderado, pensado e ajustado.
E quando chega atrasada, traz a culpa de braço dado. Juntas sufocam a alma e matam sem piedade qualquer resquício de liberdade.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Memórias de giz
"Orsay clock" by Tom Artin
Há um sorriso no Teu ombro nú, moreno...
Os Teus lábios tocam, roçam nas palavras e beijam a suave seda dos corpos fundidos.
Há um sorriso nos lençóis de carícias tecidas.
Há luz no quadro que pinto de Ti...
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Estático
"Change for dollar" by Frank Morrison
Ás vezes sinto esta vontade. Mas é apenas isso.
Vontade não acompanhada. Vontade que nasce, cresce e morre só. Tão só quanto o silêncio que mora nas almas vagabundas e transeuntes deste mundo.
Mas não nos dispersemos no vasto universo do pensamento. A vontade por si só não vale nada, não acresce qualquer coisa, não move os comboios que transportam a mudança para outro lugar. É uma promessa por cumprir que depressa cai no abismo, sem conseguir sequer agarrar-se à esperança que se desvanece nas conversas das gentes perdidas na vida sem sentido.
A vontade engana o verdadeiro querer...
sábado, 18 de agosto de 2012
Cérebro em vácuo
Corro os canais num zapping corrido. Desligo a tv.
Abro o livro que há muito quero ler. As letras misturam-se, formam palavras que não compreendo, mundo absurdo do estrangeiro retornado do universo adormecido.
Universo adormecido... Mar monotonamente doce:
- Acordar ao sabor das notícias dos outros;
- Chegar...
- Apanhar o comboio do fim de tarde desejado;
- Jantar...
- Tv...
- Tertúlia...
- Adormecer...
...contigo...
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Nevoeiro
"Automat" by Edward Hopper (1927)
Passo os dedos esguios pelos cabelos, soltam-se suspiros de cansaço nos escassos tempos claros. Procuro letras que descrevam o que espero: é o que não espero...
Na chávena de café, vejo reflectida a memória de aroma quente, o branco reflectido no escuro. Trago o aroma negro, sentindo-lhe as notas silvestres, frescas que desvendam a vergonha que me tapa os olhos. Tateio as teclas de algodão, doce paladar que me turva o sentir...
Invoco a esperança que me quer deixar, suplico-lhe...
Na chávena de café, vejo reflectida a memória de aroma quente, o branco reflectido no escuro. Trago o aroma negro, sentindo-lhe as notas silvestres, frescas que desvendam a vergonha que me tapa os olhos. Tateio as teclas de algodão, doce paladar que me turva o sentir...
Invoco a esperança que me quer deixar, suplico-lhe...
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Noite
"Lovers" by Gustav Klimt, 1908
Paira
no ar a leveza do Teu odor…
A
minha pele denuncia a Tua presença nas memórias da cama desfeita. Apago a luz e
abraço-Te, forte. Degusto o mel da Tua boca e o sal dos Teus olhos. O silêncio
amargo estremece o chão de palha que me sustem…
Paira
no ar o fumo do cigarro que não fumasTe…
Escorrem
nas paredes secas as palavras não ditas…
É o tormento do silêncio…
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quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Festa
"After the party" by Andy Warhol, 1979
Vem o silêncio, o vazio. Ficam os ecos, as gargalhadas, as piadas, o telintar dos copos... As horas tardias derramadas no chão quente, que emana os cheiros da chegada da ausência.
Os olhos repousam num copo meio cheio de nada...
Noite louca...
...noite oca...
...de senso, sentido...
Murmúrio calado irrompe no silêncio da madrugada.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Erosão
Foto by Ana Sacramento
Há momentos na vida que se revelam efémeros, mesmo na memória. Porque são fúteis, porque são iguais, porque lembram o esquecer do gesto marcado pela indiferença do comum... A erosão do tempo revela-se implacável.
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terça-feira, 11 de maio de 2010
On/Off
Gostava que cada um dos meus pensamentos tivesse um botão "On/Off"...
Neste momento, optaria por desactivá-los a todos!...
Quadro geral: OFF!
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Para Ti :)
Numa determinada altura da minha vida conheci-Te.
Estava intimidada: emprego novo, função desconhecida e de responsabilidade. Tive sorte, muita sorte...
Não é no trabalho que se conhecem as melhores pessoas, mas existem excepções a comprovar a regra. Depois do desamparo, do desânimo, da desilusão, de uma equipa individual.
Logo na primeira reunião enganei-me a escrever o Teu nome. Não foi o melhor começo, eu sei, desculpa...
Vimos trapezistas, equilibristas, domadores e feras, enfim, um sem número de artistas de variedades distintas, algumas desconhecidas, julgadas mesmo impossíveis.
Vimos fome, desespero e lágrimas... Nunca vou esquecer o desespero de alguém que luta por manter o seu emprego, ao ponto de se esquecer de si mesmo. Nunca vou esquecer alguém com filhos, com renda, água, luz e gás para pagar e que, de repente, tem apenas salários em atraso e desemprego.
Mas também vimos sorrisos de criança em rostos de adulto. Vimos dançar e ouvimos cantar (bem mal por sinal!).
Sinto muitas saudades...
Do que fazíamos...
Do companheirismo...
Da amizade...
Apoiaste-me, alertaste-me, ensinaste-me...
MUITO!!!
Marcaste-me...
Afinal trabalhar pode ser bom. Afinal existem pessoas boas que trabalham connosco, não contra nós...
Obrigada, Christiane!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
São muitos os Velhos do Restelo
É tempo de acordar. Sou equilibrista sem rede.
O público cerca o alvo da possível queda, não se aproxima, tem receio de ser atingido. Não se afasta e os seus olhos estão fixos em mim. Com curiosidade e desconfiança, mascara o desejo de que a queda se concretize. Alguns admitem essa vontade, outros, por acharem não ser pensamento digno de uma natureza "boa", contrariam, oprimem, lutam "contra natura". Mas o desejo está lá, secreto, aguardando o habitual sinal de fraqueza humana, para mostrar o seu verdadeiro carácter, a indomável força de se impor.
E eu, caminho sobre a corda, tão fina quanto comprida, nada esticada, a sorrir com malvadez porque sabe, irei colocar um pé em falso.
Aqui não se ouvem aplausos e há até quem agite os mastros que suportam a corda.
Estranhamente, sinto confiança. Sinto os pés resvalarem sobre a corda mas, sorrio sem cair (pelo menos para já) e não baixo os olhos, nem por um instante.
Não vejo o fim da corda. Não penso em voltar ao sofá que me acena lá em baixo.
Sinto-me capaz de derrubar o espírito do Velho do Restelo...
O público cerca o alvo da possível queda, não se aproxima, tem receio de ser atingido. Não se afasta e os seus olhos estão fixos em mim. Com curiosidade e desconfiança, mascara o desejo de que a queda se concretize. Alguns admitem essa vontade, outros, por acharem não ser pensamento digno de uma natureza "boa", contrariam, oprimem, lutam "contra natura". Mas o desejo está lá, secreto, aguardando o habitual sinal de fraqueza humana, para mostrar o seu verdadeiro carácter, a indomável força de se impor.
E eu, caminho sobre a corda, tão fina quanto comprida, nada esticada, a sorrir com malvadez porque sabe, irei colocar um pé em falso.
Aqui não se ouvem aplausos e há até quem agite os mastros que suportam a corda.
Estranhamente, sinto confiança. Sinto os pés resvalarem sobre a corda mas, sorrio sem cair (pelo menos para já) e não baixo os olhos, nem por um instante.
Não vejo o fim da corda. Não penso em voltar ao sofá que me acena lá em baixo.
Sinto-me capaz de derrubar o espírito do Velho do Restelo...
mesmo que não o seja...
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
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