quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Outono


Pousada sobre a mesa, a minha mão. Os dedos, apontam linhas que se afastam no horizonte.

A primeira mostra os olhos fechados da madrugada, a pureza do cantar dos melros que anunciam o nascer de mais um dia.

Outra, desliza até ao cantar do vento. Traz no cabelo, soltas, as folhas amarelas, vermelhas e castanhas, já maduras, sofrimento desenhado.

A terceira... Colhe as uvas, faz o vinho, frutos de um ano vindouro, dourado.

A quarta, diz-me para não revelar os seus segredos, quer guardar todo o sentir, memórias, num baú metamorfoseado em sólida rocha mármore.

A sensatez da quinta revela a sabedoria da idade, simplesmente não se manifesta.

Linhas que vêm do horizonte...
Juntas, numa mão...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Ironia


Passo pelos mesmos sítios em tempos diferentes.

Lembro o tempo em que sonhava o hoje, achando isso mesmo, que era apenas um sonho.

Sorriso de alma a conter... Só mais um pouco...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Lhasa




terça-feira, 15 de setembro de 2009

Meio de conhecimento

"Não, a vida não me desapontou! Pelo contrário, todos os anos a acho melhor, mais desejável, mais misteriosa... desde o dia em que veio a mim a grande libertadora, a ideia de que a vida podia ser experiência para aqueles que procuram saber, e não dever, fatalidade, duplicidade!... Quanto ao próprio conhecimento, seja ele para outros aquilo que quiser, um leito de repouso, ou o caminho para um leito de repouso, ou distracção ou vagabundagem, para mim é um mundo de perigos, é um universo de vitórias onde os sentimentos heróicos têm a sua sala de baile. «A vida é um meio de conhecimento»; quando se tem este princípio no coração, pode viver-se não somente corajoso mas feliz, pode-se rir alegremente! E quem, de resto, se ouvirá, portanto, a bem rir e a bem viver se não for primeiramente capaz de vencer e de guerrear?"

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"

domingo, 13 de setembro de 2009

Lights up



Estação de metro Baixa/Chiado
"Lights Up"
Susana António

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Despedida


Red Roses
Henri Fantin Latour

Ontem, o dia amanheceu cinzento, invadiu os Nossos lençóis e apertou-me a alma. Com o desejo de que a água levasse o desespero, abri o chuveiro dos momentos bons, deliciei-me com as memórias de um verão, passado recente.

E num beijo, em tudo diferente do “até logo” habitual, adormeci na cama do Teu cheiro, embalada pelo sal das Tuas lágrimas... Essas, sou eu quem as chora...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Capa


Às vezes, os Teus olhos olham os meus. Procuram o mundo que existe lá fora, não em mim...

Vivo alheada... Vivo...

Procuro inconsciente, lúcida, compreender o que não é compreensível.

O sem sentido inerente ao quotidiano incomoda-me, turva a água límpida do tempo. Procuro proteger-me em Ti. Incomodam-me os conflitos exteriores à órbita: ausência/excesso.

De pensamento...
De lógica...
De realidade...

Levanta os braços, não deixes a chuva cair sobre mim...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Silence...

Joie de vivre
Pablo Picasso

Existem momentos na vida - tão almejados! - que, quando reais, revelam ser verdadeiramente assustadores...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ou supero ou supero...


Prova de fogo.

Falhar, é verbo que não existe na gramática de hoje...

Dá-me a mão...

Segreda-me ao ouvido

- “Vai correr tudo bem!”

e sorri-me, calmo...

Um dia bom, talvez amanhã...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Beyond here lies nothing

Identidade


Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço


Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Play

The elder childrens games
Pieter Bruegel

Por entre as persianas do escritório vejo as árvores sorrirem, abraçam o prenúncio do outono. O semáforo alterna entre momentos felizes, dilemas, espaços parados e vazios... Gente que circula num movimento forward, frases soltas que se cruzam com os sons transeuntes do mundo, combinação única de notas impossível de ser repetida...

Mãos dadas, pacto de silêncio, sorriso calmo...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Simplesmente...



Noite calma, silêncio...

Observo as luzes móveis de uma cidade estática...

Contemplar...