sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Identidade
Preciso ser um outro
para ser eu mesmo
Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta
Sou pólen sem insecto
Sou areia sustentando
o sexo das árvores
Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro
No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Play
The elder childrens gamesPor entre as persianas do escritório vejo as árvores sorrirem, abraçam o prenúncio do outono. O semáforo alterna entre momentos felizes, dilemas, espaços parados e vazios... Gente que circula num movimento forward, frases soltas que se cruzam com os sons transeuntes do mundo, combinação única de notas impossível de ser repetida...
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Simplesmente...
Noite calma, silêncio...
Observo as luzes móveis de uma cidade estática...
Contemplar...
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Aguenta aí
- dado um chuto na cama;
conclui que o Sérgio Godinho é que tem razão
"Há dias de manhã em que um homem à tarde não pode sair à noite nem voltar de madrugada"
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Surpresas
A vida contempla-nos com imensas Surpresas.
Existem momentos previstos a acontecer, normais, esperados, como o fim de umas férias quentes de aroma doce e saudoso e o retorno aos locais de vida perdida. Mas também existem Surpresas... E boas!
Surpresa (ê)
s. f.
1. Acto ou efeito de surpreender ou de ser surpreendido.
2. Espanto (causado por algo inesperado).
3. Sobressalto; perturbação; pasmo.
4. Sucesso inesperado, facto ou incidente inopinado.
5. Acção calculada pela qual se pretende agradar ou ser útil a alguma pessoa sem esta o prever.
6. Prazer inesperado.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Férias
E chegam as férias, desejadas e merecidas.
Não estão previstas idas à praia até porque, ao contrário de muitos, gosto da praia no inverno, quando não há gente, quando não há cheiro a protector e bronzeador, quando não há bolas, quando não tenho de pedir licença para conseguir encaixar a minha toalha no pedacinho de areal livre que resta. Gosto da praia quando a praia cheira a praia e o mar mostra a sua verdadeira personalidade. Aroma a maresia...
Estão previstos passeios, para conhecer e dar a conhecer um pouquinho da terra de cada um. Idas a esplanadas, jantares, exposições, música, noites de cinema, amigos e muito, muito descando.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
A chegada
Foram muitos os dias a ansiar por um dia, o dia de ontem… E ontem desesperei, sumida no meio de tantos outros olhares em procura. Cada carrinho de transporte de bagagens que surgia
- “É Ele! Não... É agora, é Ele! Oh, também não... Saiam, saiam da frente, não consigo ver! E se Ele sai e eu não O vejo? Saiam! Saiam!!! É Ele! Humm, não...”
lá estava eu, expectante, na certeza que eras sempre Tu o próximo a chegar... mas não... Que desespero!
E o avião, tinha que se atrasar? Tinha que apanhar mau tempo? Logo ontem?!
Oh, quando Te vi... Todo o aeroporto ficou vazio. A ansiedade, o desespero, tudo se escondeu. Corri a Teu lado, não me vias mas eu, não Te perdi mais...
E foi bom ver-Te... E foi bom abraçar-Te... Sentir-Te perto, mais perto... O Teu olhar...
Emoção... Intensidade...
quarta-feira, 29 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
Que saudades, Amiga!...
Lembro-me de Ti...
Numa aula de Geofísica, a professora reparou no Teu rosto, na Tua altura, na Tua imponência, no meio de tantos outros rostos que preenchiam as cadeiras do anfiteatro. Achou que Te conhecia e perguntou se não serias vizinha dela, ao que respondeste, prontamente
- “Não.”
A aula continuou
- “Atchim!!!”
até o Teu espirro peculiar, estridente, ter irrompido sala adentro. Fez-se silêncio. A professora, que na altura escrevia no quadro, virou-se com a sua calma característica, digna dos seus cabelos brancos
- “Definitivamente não a conheço. Confusão minha”
e, a sala perdeu-se numa gargalhada imensa e contagiante. Olhaste para mim a sorrir também e no Teu rosto desabrochava a rosácea, mostrando o Teu sentido de humor. O início de uma longa, cúmplice amizade.
Tenho saudades, Amiga...
Saudades das tuas gargalhadas únicas, de dançar contigo, dos fins de tarde na esplanada a comer um gelado com fruta.
Todos mudamos, crescemos, amadurecemos, experienciamos momentos que nos dão a forma de hoje. Momentos diferentes nas quatro dimensões.
No entanto, procuras nos outros a fé que existe em Ti. Romântico... e utópico.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Dias...
Às vezes Sinto-Me assim.
Observo o mundo que se movimenta, sou invisível... Os Outros não me vêem, eu vejo todos os Outros. Olho a senhora sentada ao meu lado, vai buscar os filhos à escola e pensa no que será o jantar. Observo os óculos escuros da outra senhora, de blusa branca, a esconderem uma possível rotura da criança que brinca com um carrinho azul
- “Vrooomm, vrooomm...”
Vejo os olhos verdes raiados de vermelho do homem à minha frente, talvez cansaço, de certo algo mais, o desânimo de quem não se sente bem na pele que veste. O cheiro a cachaça embriaga todos no sono real.
Olho para mim. Partilho a pressa, a rotina, o cansaço dos Outros. É isso: sou uma estrangeira num país que não é o meu. Esse país: planeta Terra.
Às vezes Sinto assim...
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Rodrigo Leão.
Novembro.
É impossível não lembrar aquele domingo soalheiro de outono...
Combinámos um almoço num sítio a decidir. Ponto de encontro: CCB.
Chegaste com o Teu atraso habitual. Nos lábios, um sorriso de saudade, de encontro com o passado.
O encanto...
Decidimos almoçar naquela esplanada italiana. Vinho, contemplação. Risos e sorrisos dançantes. Os olhares tocavam-se, fundiam-se...
Passámos depois, em passos de conversa que fluía por entre a folhagem quente das árvores, para a avenida de luz, onde tantas tardes vieram ao nosso encontro num cumprimento memorável. O cappuccino aqueceu as almas. Toque de mãos, entrelaçar de dedos, de destinos. Já na estação, deu-se o beijo desejado há muito...
Parti no comboio... Tu, vieste comigo...
P.S. - Embora Rodrigo Leão tenha um álbum novo, "A Mãe", foi esta música que me levou à estação...
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Espera(nça)
Os preparativos começam. A forma como ela segura as violetas, delicadas mãos suaves reflectindo o ar fresco da manhã, deixa transparecer o sorriso dos dedos rosa, o sangue corre para os braços Dele.
A gata contorce-se nas suas pernas, antecipa. Os livros arrumados, propositados nas estantes. As fotografias emolduradas a não esquecer o indelével. Os cd’s que tocam no íntimo. Tudo espera... Paciência... Perfeição...
Até o aroma do último chá que beberam juntos continua ali, no ar, a pairar, a apreciar, a lembrar, a sorrir, a chorar, a sentir, a esperar... A olhar aquela porta verde...

