
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Sábado à noite...
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
"Isto"
Desvio a cortina do tempo, lembro aquela tarde, naquela sala, ouviste-me dizer a alguém que ansiava saber a nota de V.C. mas só saia à noite. Irrompeste de forma natural, desinterressada, disseste que, como ias ver a tua nota e a de outros colegas, também poderias ver a minha.
Já te conhecia de vista, assim como a tantas outras pessoas do nosso curso. Eras-me indiferente, confesso.
Foi assim que conseguiste o meu número e usaste-o apenas para isso mesmo.
Nos corredores, nas salas, apenas cumprimentos sociais, nada mais...
Passaram 2 anos até ao "então": juntos num trabalho de grupo. As primeiras conversas virtuais, algumas banais outras nem tanto. A ansiedade de Te encontrar online foi crescendo e o sono foi sendo adiado, todas as noites...
Mais um ano.
O primeiro beijo...
Passeios, tantos...
Jantares, vinho e conversas...
Cinema, ópera, fotografia, sol, vento no rosto,
Houve uma linha de água.
Houve tempo.
Houve encontros, desencontros,
Há "Isto"
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
E pronto, é oficial!
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Pause
Já há algum tempo que não ouvia este CD... Soube bem este momento para mim, ultimamente não têm sido muitos...
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Ainda aqui estou!
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Inconformismo
Sinto o amargo na boca por ser este o último dia. O tempo de inverno trouxe o frio apagado das lágrimas que solto por me sentir tão vazia. Só a Tua volta aliada ao Teu apoio incondicional, trazem paz à minha tristeza de um fado conformado.
Sofro e antecipo em vão o desconhecido...
Talvez...
Prefiro-Te perto, sim! Mas o resto como estava...
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Homem
Estou nervosa, ansiosa, com algum receio de, claro está, Falhar! Verbo que nunca gostei de encontrar no caminho.
Porque me limito ao que não é humano, não desenvolvo a superioridade de conhecer e observar a existência de um patamar elevado.
Aceitar os defeitos do Homem não está ao meu alcance.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Resistência
Grand Central Station New YorkA mudança.
Se há coisa que me assusta sempre é a mudança.
De casa. Detesto encaixotar e desencaixotar coisas. Se pudesse comprava a casa já decorada, mobilada e com as minhas coisas arrumadinhas;
De emprego. Quando gostamos dos colegas, do que fazemos e do local de trabalho. Quando somos “forçados” a – obra no fim = mudança. Não sei se será boa ou má. Terei de levantar-me mais cedo, chegarei mais tarde a casa. Terei a luta diária do trânsito quando antes ia a pé.
E viver neste dilema é egoísmo puro. Eu tenho trabalho. E tenho casa.
Não tenho o direito de sentir desta forma... Mas a verdade é que também não consigo evitar...
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Essência
"Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade"
sábado, 3 de outubro de 2009
Sem Tempo...
Esta Senhora está na moda
The Legendary Tiger Man - These Boots Are Made For Walking
(Entre muitas outras versões, esta é a mais recente)
Banda sonora do filme "Kill Bill" de Quentin Tarantino
Moriarty - Lentement Mademoiselle
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Outono
Pousada sobre a mesa, a minha mão. Os dedos, apontam linhas que se afastam no horizonte.
A primeira mostra os olhos fechados da madrugada, a pureza do cantar dos melros que anunciam o nascer de mais um dia.
Outra, desliza até ao cantar do vento. Traz no cabelo, soltas, as folhas amarelas, vermelhas e castanhas, já maduras, sofrimento desenhado.
A terceira... Colhe as uvas, faz o vinho, frutos de um ano vindouro, dourado.
A quarta, diz-me para não revelar os seus segredos, quer guardar todo o sentir, memórias, num baú metamorfoseado em sólida rocha mármore.
A sensatez da quinta revela a sabedoria da idade, simplesmente não se manifesta.
Linhas que vêm do horizonte...
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Meio de conhecimento
Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
domingo, 13 de setembro de 2009
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Despedida

Ontem, o dia amanheceu cinzento, invadiu os Nossos lençóis e apertou-me a alma. Com o desejo de que a água levasse o desespero, abri o chuveiro dos momentos bons, deliciei-me com as memórias de um verão, passado recente.
E num beijo, em tudo diferente do “até logo” habitual, adormeci na cama do Teu cheiro, embalada pelo sal das Tuas lágrimas... Essas, sou eu quem as chora...
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Capa
Às vezes, os Teus olhos olham os meus. Procuram o mundo que existe lá fora, não em mim...
Vivo alheada... Vivo...
Procuro inconsciente, lúcida, compreender o que não é compreensível.
O sem sentido inerente ao quotidiano incomoda-me, turva a água límpida do tempo. Procuro proteger-me em Ti. Incomodam-me os conflitos exteriores à órbita: ausência/excesso.
De pensamento...
Levanta os braços, não deixes a chuva cair sobre mim...
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Ou supero ou supero...
Prova de fogo.
Falhar, é verbo que não existe na gramática de hoje...
Dá-me a mão...
Segreda-me ao ouvido
- “Vai correr tudo bem!”
e sorri-me, calmo...
Um dia bom, talvez amanhã...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Identidade
Preciso ser um outro
para ser eu mesmo
Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta
Sou pólen sem insecto
Sou areia sustentando
o sexo das árvores
Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro
No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Play
The elder childrens gamesPor entre as persianas do escritório vejo as árvores sorrirem, abraçam o prenúncio do outono. O semáforo alterna entre momentos felizes, dilemas, espaços parados e vazios... Gente que circula num movimento forward, frases soltas que se cruzam com os sons transeuntes do mundo, combinação única de notas impossível de ser repetida...
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Simplesmente...
Noite calma, silêncio...
Observo as luzes móveis de uma cidade estática...
Contemplar...
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Aguenta aí
- dado um chuto na cama;
conclui que o Sérgio Godinho é que tem razão
"Há dias de manhã em que um homem à tarde não pode sair à noite nem voltar de madrugada"
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Surpresas
A vida contempla-nos com imensas Surpresas.
Existem momentos previstos a acontecer, normais, esperados, como o fim de umas férias quentes de aroma doce e saudoso e o retorno aos locais de vida perdida. Mas também existem Surpresas... E boas!
Surpresa (ê)
s. f.
1. Acto ou efeito de surpreender ou de ser surpreendido.
2. Espanto (causado por algo inesperado).
3. Sobressalto; perturbação; pasmo.
4. Sucesso inesperado, facto ou incidente inopinado.
5. Acção calculada pela qual se pretende agradar ou ser útil a alguma pessoa sem esta o prever.
6. Prazer inesperado.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Férias
E chegam as férias, desejadas e merecidas.
Não estão previstas idas à praia até porque, ao contrário de muitos, gosto da praia no inverno, quando não há gente, quando não há cheiro a protector e bronzeador, quando não há bolas, quando não tenho de pedir licença para conseguir encaixar a minha toalha no pedacinho de areal livre que resta. Gosto da praia quando a praia cheira a praia e o mar mostra a sua verdadeira personalidade. Aroma a maresia...
Estão previstos passeios, para conhecer e dar a conhecer um pouquinho da terra de cada um. Idas a esplanadas, jantares, exposições, música, noites de cinema, amigos e muito, muito descando.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
A chegada
Foram muitos os dias a ansiar por um dia, o dia de ontem… E ontem desesperei, sumida no meio de tantos outros olhares em procura. Cada carrinho de transporte de bagagens que surgia
- “É Ele! Não... É agora, é Ele! Oh, também não... Saiam, saiam da frente, não consigo ver! E se Ele sai e eu não O vejo? Saiam! Saiam!!! É Ele! Humm, não...”
lá estava eu, expectante, na certeza que eras sempre Tu o próximo a chegar... mas não... Que desespero!
E o avião, tinha que se atrasar? Tinha que apanhar mau tempo? Logo ontem?!
Oh, quando Te vi... Todo o aeroporto ficou vazio. A ansiedade, o desespero, tudo se escondeu. Corri a Teu lado, não me vias mas eu, não Te perdi mais...
E foi bom ver-Te... E foi bom abraçar-Te... Sentir-Te perto, mais perto... O Teu olhar...
Emoção... Intensidade...
quarta-feira, 29 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
Que saudades, Amiga!...
Lembro-me de Ti...
Numa aula de Geofísica, a professora reparou no Teu rosto, na Tua altura, na Tua imponência, no meio de tantos outros rostos que preenchiam as cadeiras do anfiteatro. Achou que Te conhecia e perguntou se não serias vizinha dela, ao que respondeste, prontamente
- “Não.”
A aula continuou
- “Atchim!!!”
até o Teu espirro peculiar, estridente, ter irrompido sala adentro. Fez-se silêncio. A professora, que na altura escrevia no quadro, virou-se com a sua calma característica, digna dos seus cabelos brancos
- “Definitivamente não a conheço. Confusão minha”
e, a sala perdeu-se numa gargalhada imensa e contagiante. Olhaste para mim a sorrir também e no Teu rosto desabrochava a rosácea, mostrando o Teu sentido de humor. O início de uma longa, cúmplice amizade.
Tenho saudades, Amiga...
Saudades das tuas gargalhadas únicas, de dançar contigo, dos fins de tarde na esplanada a comer um gelado com fruta.
Todos mudamos, crescemos, amadurecemos, experienciamos momentos que nos dão a forma de hoje. Momentos diferentes nas quatro dimensões.
No entanto, procuras nos outros a fé que existe em Ti. Romântico... e utópico.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Dias...
Às vezes Sinto-Me assim.
Observo o mundo que se movimenta, sou invisível... Os Outros não me vêem, eu vejo todos os Outros. Olho a senhora sentada ao meu lado, vai buscar os filhos à escola e pensa no que será o jantar. Observo os óculos escuros da outra senhora, de blusa branca, a esconderem uma possível rotura da criança que brinca com um carrinho azul
- “Vrooomm, vrooomm...”
Vejo os olhos verdes raiados de vermelho do homem à minha frente, talvez cansaço, de certo algo mais, o desânimo de quem não se sente bem na pele que veste. O cheiro a cachaça embriaga todos no sono real.
Olho para mim. Partilho a pressa, a rotina, o cansaço dos Outros. É isso: sou uma estrangeira num país que não é o meu. Esse país: planeta Terra.
Às vezes Sinto assim...
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Rodrigo Leão.
Novembro.
É impossível não lembrar aquele domingo soalheiro de outono...
Combinámos um almoço num sítio a decidir. Ponto de encontro: CCB.
Chegaste com o Teu atraso habitual. Nos lábios, um sorriso de saudade, de encontro com o passado.
O encanto...
Decidimos almoçar naquela esplanada italiana. Vinho, contemplação. Risos e sorrisos dançantes. Os olhares tocavam-se, fundiam-se...
Passámos depois, em passos de conversa que fluía por entre a folhagem quente das árvores, para a avenida de luz, onde tantas tardes vieram ao nosso encontro num cumprimento memorável. O cappuccino aqueceu as almas. Toque de mãos, entrelaçar de dedos, de destinos. Já na estação, deu-se o beijo desejado há muito...
Parti no comboio... Tu, vieste comigo...
P.S. - Embora Rodrigo Leão tenha um álbum novo, "A Mãe", foi esta música que me levou à estação...
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Espera(nça)
Os preparativos começam. A forma como ela segura as violetas, delicadas mãos suaves reflectindo o ar fresco da manhã, deixa transparecer o sorriso dos dedos rosa, o sangue corre para os braços Dele.
A gata contorce-se nas suas pernas, antecipa. Os livros arrumados, propositados nas estantes. As fotografias emolduradas a não esquecer o indelével. Os cd’s que tocam no íntimo. Tudo espera... Paciência... Perfeição...
Até o aroma do último chá que beberam juntos continua ali, no ar, a pairar, a apreciar, a lembrar, a sorrir, a chorar, a sentir, a esperar... A olhar aquela porta verde...
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Xácara das dez meninas
terça-feira, 21 de julho de 2009
Ver a cores
Contemplamos juntos a vista com que somos presenteados: os deuses reconhecem os sacrifícios mortais e ofertam-nos este presente com sabor a céu.
Sentados, confortáveis, em cadeiras de verga almofadadas, degustamos o vinho rubro e límpido, de paladar frutado. Cobertos pela sombra embalada pelo silêncio do vento, olhamos o olhar incrédulo de cada um nós... Um momento intocável, indelével, de contemplação e prazer... A partilha...
Há um caminho que vemos, sabemos onde nos leva...
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Contra-corrente
O desânimo que sentes passa para mim, osmose que acontece durante a tristeza teclada por Ti. Só a esperança do amanhã move o meu rosto: como que orgulhoso de Nós, obriga os lábios a mostrar felicidade.
Agarra essa corda
Atiro agora para as Tuas mãos.
Agarra-Te com força
Com a força que Te resta...
Segue-a até à bóia
Flutua e aguarda, serena,
A Tua chegada.
Apoia-Te nela...
Senta-Te nela...
Sozinha, ela trazer-Te-á até mim
Através do mar escuro,
Profundo, violento,
Mas já tão curto...
Adormece...
Chegarás ao destino depressa...
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Loucura
Num movimento inesperado, descubro pormenores do meu lado mais obscuro. A minha inteligência emocional é escassa, caminha numa passadeira rolante sem sair do mesmo sítio. Outras vezes paro e sou levada em sentido contrário. E é então que a leveza pura sentida, é tomada pela ansiedade do ridículo. Muito tempo se passou e a falta sentida transforma-se num buraco negro do qual procuro fugir...
Só mais um pouco...
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Frustração...
Às vezes gostava que fosse diferente...
Gostava que lesses as entrelinhas do meu Ser...
Gostava de Te despertar a expressão mais além...
Gostava de Te tocar no sentir vontade de....
A reciprocidade, aqui, não acontece...
Sou demasiado complicada
E, os meus pensamentos são aleatórios
Sem nexo...
Mas não posso deixar de sentir que
Às vezes gostava de Ser diferente...
Cri cri cri foguete
(tão poucos)
interessa-me que haja sol, gosto de estar vivo embora, tão frequentemente, não saiba o que fazer com a vida, não pretendo passar mais tempo debaixo de tanta lombada e ensurdecido por tanta berraria, interessa-me o silêncio, o ventinho nas árvores, a Serra da Estrela, as pobres coisas que à noite não existiam e amanhecem nos passeios, até frigoríficos, até poltronas, a senhora internada no Hospital Miguel Bombarda que em lugar de
- Bom dia
me cumprimentava com a frase
- Cri cri cri foguete
cumprimentava o mundo inteiro com a frase
- Cri cri cri foguete
e trancava-se a seguir numa atitude feroz, deve ter morrido há que tempos e suponho que insiste
- Cri cri cri foguete
num cemitério qualquer a espantar os restantes defuntos, eles indecisos
- O que significará cri cri cri foguete?
e é simples, cri cri cri foguete significa cri cri cri foguete, nunca encontrei cri cri cri foguete em nenhum livro, em nenhuma revista, não consta, e no entanto que importante cri cri cri foguete, que decisivo. O que eu aprendi no Hospital Miguel Bombarda meu Deus, cri cri cri foguete abarca tudo. Lembro-me de mencionar ao meu falecido pai o cri cri cri foguete, do cachimbo dele se tornar mais rápido, de comentar passados tempos
- Cri cri cri foguete é extraordinário
continuando a ruminar nisso, no caso de se ter mantido cá em cima ainda ruminaria consoante eu rumino, na papeleta dela a profissão costureira de chapéus, um trabalho que me põe a sonhar, calculo já não existirem costureiras de chapéus, pessoas úteis,..."
António Lobo Antunes
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Imaginarium
As bolas de sabão flutuam na corrente de fumo, perfume quente que descreve em letras pequenas, as palavras que correm nas ruas, gritando em silêncio o Teu nome. E lá vou eu, bola de sabão, toco o Teu rosto, num beijo sonhado.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Blue Mood
Sinto dores no corpo, presença da tua falta... Dores nas pernas por não caminhar os Teus passos... Ouvidos que agudizam o não ouvir o Teu respirar... Porque o corpo físico reflecte a dor que já não é apenas contida na alma...
Sobrevivo no sofrimento, na esperança de não morrer à chegada... Desejo tanto...
segunda-feira, 13 de julho de 2009
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Pintura a Óleo
Nos escombros do passado, existem folhas escritas de dissabores que, moram algures num canto, onde o canto dos pássaros não chega, nem o perfume do vento silvestre. Existem folhas que falam ao ouvido cores desmaiadas sobre o vermelho derramado pelo chão.
E no palácio do regozijo a ser amanhã, existem serões saboreados sob a luz quente da lua. Existem sombras brancas que apaziguam a alma, o toque do sentir a inundar os corpos fluidos que se misturam criando novas cores...
Porque olho e vejo... Dualidade a ser unidade...
Jogo das Escondidas
Arrastei os pés até lá. As minhas mãos sorriam forçadamente. Saíram palavras mudas, que se esconderam logo atrás das costas, tremendo, ansiando que ninguém reparasse nelas. Já passou. Correu bem. As palavras já têm prática neste jogo.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Elos
Sentires que se fundem num abraço de Vida!
Laço de sangue que não se desata...
segunda-feira, 6 de julho de 2009
O Rio Tempo
No rio dos meus passos.
Vagueio por entre seixos
De onde se soltam sedimentos,
Beijos dados ao sol...
Desaguo em teus braços
Rio que desagua no mar...
Misto de doce e salgado que
Me beija e me morde...
O silêncio da falta a calar o murmúrio do tempo...
sábado, 4 de julho de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Escada
Tudo se repetirá...
Mas vale a pena...
Pormenores de Ti...
quinta-feira, 2 de julho de 2009
A Ti...
Hoje...
Olho para Ontem,
Um jantar que calou o tempo...
Olho para Ontem e, Ontem, nem imaginava!
Hoje, um sentir que corrompe distâncias...
Hoje, os olhares tocam-se onde o mar acaba...
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Entre a chuva...
Flores cobrem os verdes campos... Presente primaveril a exilar o inverno no canto dos momentos excluidos pelo lembrar...
terça-feira, 30 de junho de 2009
Introspecção
Vontade de andar.
De ver.
De sentar.
De calar.
De dormir...
O jeito não é nenhum mas vontade, imensa!
Vontade de estar perto.
De falar.
De tocar.
De olhar.
De ouvir.
De sentir...
Beijo a agridoce vida...
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Sede
No imenso areal sobressaem aqueles instantes, aqueles dias abraçados pela memória, a miragem de um oásis no horizonte, no meio de tantos outros grãos de areia a formarem um deserto... Surges Tu a desfrutar das águas frescas que abundam, das frutas maduras, doces e sumarentas que se desfazem no teu olhar profundo e as tâmaras satisfazem os paladares mais gulosos.
Percorro o deserto sozinha... Tanto calor... Tanta sede...
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Máquina do Tempo

Seria possível presenciar a batalha de Alcácer Quibir, por exemplo, e conhecer os verdadeiros factos associados ao desaparecimento de D. Sebastião, terminando com o famoso estigma do povo português. E recuando ainda mais no tempo, seria possível descobrir as causas do desaparecimento de civilizações míticas como a Maia, deitando por terra as teorias de uns, vingando as de outros, ou surgiriam até respostas nunca antes imaginadas.
E o que dizer da própria Origem do Homem?
A História seria rescrita com uma maior precisão, isso é certo. Mas também geraria, muito provavelmente, guerras religiosas e/ou políticas, e a História perderia todos os seus enigmas, tão bons de imaginar e essenciais para muitos.
Talvez desse resposta ao verdadeiro objectivo da nossa existência... ou não...
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Sobrelevação do Sentir...
A mesa está posta. Há duas chávenas, dois pires e duas colheres. Há bolinhos de canela, outros de manteiga, e num cesto de verga, sobre um pano bordado a ponto cruz, estão scones ainda quentes. De um lado um frasco de compota de framboesa, do outro a manteiga. Tudo está meticulosamente arrumado sobre uma toalha branca de linho, usada apenas em ocasiões especiais.
Leonor, em desassossego disfarçado, senta-se então aguardando a sua vinda. Olha o relógio: cinco e dez. Tem pele branca, suave, as maçãs do rosto ligeiramente rosadas pelos raios de sol que a beijam logo pela manhã. Os cabelos dourados caem sobre os ombros, lançando sobre o si um perfume a lavanda e jasmim. Traz um vestido branco, solto e comprido, evidenciando as linhas delicadas e belas do seu busto.
O portão do jardim dá as boas-vindas a quem chega. Leonor, tentando controlar o estado de ansiedade e exaltação, abre a porta de casa. É Miguel.
Miguel traz o sofrimento vincado no rosto, as saudades sentidas do passado perdidas no infinito. No olhar, traz palavras de absurdo e de culpa. As lágrimas e o sorriso de quem encontra o paraíso julgado perdido em memórias perenes. A sua roupa cheira a fome, pobreza e guerra, cheira a ganância de uns, a suor estéril de outros... As linhas nas palmas das mãos, desenham a queda de um sofrimento de anos...
Há um abraço que pára o tempo no tempo... As papoilas fundem-se com as espigas do campo, ao sabor do vento de uma tarde primaveril.
O chá frio, aquece os olhares calmos e tranquilos, num silêncio em notas de pétalas de rosa e de gengibre. Momento indelével na sobrelevação do sentir...
terça-feira, 23 de junho de 2009
Lembro...
segunda-feira, 22 de junho de 2009
7
Sou qualquer coisa de intermédio:
sábado, 20 de junho de 2009
Dias Bons...
A noite do reencontro...
Muitas e muitas idas a Belém...
Não se deixem enganar pela aparente serenidade do bichinho, é daqueles que não ladra...
São dias como estes, perpétuos no tempo, que me fazem acreditar no amanhã...
sexta-feira, 19 de junho de 2009
A volta
Le Seducteur quinta-feira, 18 de junho de 2009
Conversa com criança de 5 anos
- Como te chamas?
- Ana – respondi eu surpresa e ridiculamente intimidada, nunca soube muito bem como lidar com crianças – E tu?
- João – de dedo na boca, mostrava as pinceladas brancas do seu sorriso! – Quantos anos tens?
- Ccchhh! Isso não se pergunta, João! – repreendeu a mãe num gesto automático e mecânico, accionado pela pergunta indiferente socialmente inconveniente - Desculpe...-assumindo a culpa de gravidade ausente.
- 29.
- Isso é quantos?
- São duas mãos, mais duas mãos, mais uma, mais 4 dedinhos. – expliquei eu, em vão, mostrando as minhas mãos magras a alguém que, na sua inocência, não sabe quanto é esse tempo... – São muitos! E tu, quantos anos tens?
Mostrou-me a palma da mão e cinco dedos bem erguidos com orgulho de homem feito!
quarta-feira, 17 de junho de 2009
(Des)Encontro
O rapaz da mesa ao lado observa-nos e contempla a nossa conversa. Olha para a Maria com um entusiasmo adolescente, escondido sob a sua barba madura, e ela sorri-lhe. Segura firmemente a caneta com que escreve letras juntas, que deixam adivinhar o seu pensamento dela...
E a conversa continua. E o silêncio permanece...
Um (des)encontro(?)... Um dia bom que faz sonhar...
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Ccchhhh...
Silêncio...
É o silêncio que me deixa ouvir o cantar do sol
Ou o bater de asas de uma borboleta
Que pousa, tão delicadamente!
Sobre a minha mão.
Ccchhhh!!!
Silêncio!
Silêncio
Que se vai cantar o fado!
É ele que me deixa ouvir as palavras sussurradas
Nos lábios das gentes
No cantar do seu destino.
Ccchhhh...
Silêncio...
Deixei-me ouvir
O que trago no peito.
Olhar único,
Tão perfeito!
Momentos II
For You...
"You said I'm stubborn
And I never give in
I think you're stubborn
'Cept you're always softening
You say I'm selfish
I agree with you on that
I think you're giving out
In way too much in fact
I say we've only known
Each other one year
You say I've known
You longer my dear
You like to be so close
I like to be alone
I like to sit on chairs
And you prefer the floor
Walking with each other
Think we'll never
Match at all
But we do (4x)
I thought I knew myself
Somehow you know me more
I've never known this
Never before
You're the first
To make out
Whenever we are two
I don't know who I'd be
If I didn't know you
You're so provocative
I'm so conservative
You're so adventurous
I'm so very cautious
Combining
You think
We would and we do
But we do (3x)
Favouritism
Ain't my thing
But in this situation
I'll be glad
Favouritism
Ain't my thing
But in this situation
I'll be glad
To make an exception"
Adele
sábado, 13 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Passado e Presente
Um dia quente de verão onde o pensamento reflecte a luz branca do dia que encandeia os olhares mais atentos.
A viagem foi longa e a estrada transpirava, ali deitada, como que a adivinhar o meu destino. As árvores, num gesto cansado, acenavam à minha passagem e desenhavam no céu um rasto verde aguarela, na sua lentidão, tão natural...
Chego a casa. Abre a porta num misto de surpresa e de tristeza, procura o conforto nos meus olhos, nos meus braços, no conhecimento do meu saber... Chora o desespero do passado e o alívio do presente... O sofrimento dos últimos meses está vincado nas suas, nas minhas mãos que se contorcem na tentativa de se acalmarem uma à outra. É inútil... Todas as palavras não chegam para alcançar tamanha dor. Permaneço calada, fechada no meu ermo, no desconforto dos anos passados, no conforto do silêncio, tão familiar...
O cheiro a morte invade-me a memória, trazendo até ela, até mim o que não quero lembrar... O que não quero esquecer... Ouvem-se murmúrios de lamentos, palavras vãs que apenas vincam a dor no peito de quem se quer acalmar... As flores, os choros, os sussurros, os gestos cínicos de quem aproveita para reencontrar alguém que já não vê
- ... há dois anos? Três? O tempo passa... E são precisas estas desgraças para nós encontrarmos..."
Vêem-se sorrisos, ouvem-se gargalhadas que, logo se fecham ao ver o sofrimento passar a seu lado.
Sento-me calada e observo as hortênsias, tão lindas!, que suavizam o vento, solto pelo avançar do sol no horizonte..
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Marisa Monte - Cérebro Eletrônico
"O cérebro eletrônico faz tudo
Faz quase tudo
Faz quase tudo
Mas ele é mudo
O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda
Só eu posso pensar
Se Deus existe
Só eu
Só eu posso chorar
Quando estou triste
Só eu
Eu cá com meus botões
De carne e osso
Eu falo e ouço
Eu penso e posso
Eu posso decidir
Se vivo ou morro por que
Porque sou vivo
Vivo pra cachorro e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
No meu caminho inevitável para a morte
Porque sou vivo
Sou muito vivo e sei
Que a morte é nosso impulso primitivo e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Com seus botões de ferro e seus olhos de vidro"Música e letra: Gilberto Gil
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Cómoda das Memórias
Sentei-me no banco de verga e abri algumas das gavetas da cómoda das memórias.
Que desarrumação! Gavetas torcidas, mal fechadas, cheias de momentos desorganizados na confusão dos instantes de lucidez. Há fotografias misturadas com poemas, frases soltas, aromas a outono e a jardins em flor...
Há dias únicos...
Há um jantar a meia luz, em tons quentes de verão... Há olhos doces no regozijo do (re)encontro... Há poesia nos gestos expressivos, desencontrados das palavras... Há umas sandálias douradas que percorrem na noite, as ruas de Lisboa... Há brincadeiras que soltam momentos indeléveis... Há muitos beijos recusados, um beijo dado... Há palavras duras, e há palavras meigas... Há dedos entrelaçados e o desejo sonhado... Há um “olá” na despedida e um sorriso perene que adormece connosco...
Porque há dias assim...
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se,
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha, pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja..."
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Diariamente
Cai a chuva nos seus rostos já molhados, e num acto inútil, tentam proteger-se. Dizem “Bom Dia” com um sorriso amalgamado aos Outros, aos rostos, tão iguais...
Já é tarde...
Dirijo-me ao local de vida perdida, num movimento de vida continuada... Cruzo-me com tantos Outros, rostos, tão iguais...
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Passos Dados
Cruzo-me com o choro da fome,
O grito da carne crua, ferida,
Gargalhadas de encontros,
Seres felizes
Na infelicidade dos outros...
Há pés que pisam as calçadas de sempre
Que, os cumprimentam e reconhecem
O que decalcam e pisam...
Há pés que adivinham novos passos
Sorriem no prazer da descoberta...
Há silêncios de dor,
Há olhos chorados
Beijos dados
Mãos dadas
Na indiferança, hábito
Amor...
Há casas pequenas grandes...
Há casas grandes pequenas...
Há palavras mudas
Faladas e ditas
Magoadas
Sentidas
Suadas...
Há o encontro de TI,
Vens sempre comigo...
terça-feira, 2 de junho de 2009
Momentos
Reparo no relógio, dourado, que trazes no pulso. Está parado... Sinto o aroma dos ventos quentes e, num momento de silêncio, reparo nas Tuas mãos canela. As rugas do tempo que não passou estão nas tuas vestes, nas minhas, e desenham na plenitude o encontro de um olhar infinito. Observo o nosso rosto... Contemplo... Está parado...
domingo, 31 de maio de 2009
Domingo no Mundo
"Acorda rapaz, o dia rompe
Através do sono escuro
Abriga o teu corpo de onze anos
Tens que ir trabalhar no duro
No ano passado, neste tempo
Ainda andavas tu na escola
Mas a família cresce e tu és rijo
E aqui ninguém pede esmola
Hoje vais ser homem
Por quase nove horas
Sabes lá das horas...
Mas talvez amanhã seja domingo no mundo
E tudo bata certo nem que por um segundo
Fogo-de-artifício se veria
Se fosse assim p´ra sempre um dia
Cuidado
Atenção
É proibido fazer lume
Risco de explosão
Carregas canudos em caixotes
Fazes fogos de artifício
Misturas a pólvora às estrelas
E o arco-íris ao bulício
Se chega o fiscal, faz-te de tolo
Estás ali porque até gostas
Deixa o patrão dar-lhe o envelope
E ficas logo grande, apostas?
Hoje vais crescer
P’ra lá do teu tamanho
O cansaço é tamanho...
Mas talvez amanhã seja domingo no mundo
E tudo bata certo nem que por um segundo
Fogo-de-artifício explodiria
Se fosse assim p´ra sempre um dia
Cuidado
Atenção
É proibido fazer lume
Risco de explosão
Cuidado com o manuseamento
Não te enganes tu também
Olhas de soslaio o tipo ao lado
Que três dedos a menos tem
Paras p´ro almoço e à socapa
Vês revistas de homens grandes
Vais ter que acender o teu cigarro
Nem que pelos ares te mandes
Ah, como é difícil
Saber do amor
Eu sei lá o que é o amor...
Mas talvez amanhã seja domingo no mundo
E tudo bata certo nem que por um segundo
Fogo-de-artifício explodiria
Se tu me amasses algum dia
Cuidado
Atenção
É proibido fazer lume
Risco de explosão
Na fábrica de fogo-de-artifício
Houve, dizem, fogo posto
E um menino sonha a noite inteira
Que perdeu no escuro o rosto"
Sérgio Godinho
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Repetição
- Boa tarde. Queria um gelado por favor, um copo com duas bolas, uma de cookies e outra de frutos silvestres.
A camisa branca suada e as lágrimas de cansaço que lhe afagam o rosto, denunciam o calor que se faz sentir. Num gesto firmemente submisso, acaricia a mesa com um pano húmido. Um fio dourado que reflecte o verão, abraça-lhe o pescoço agarrando com fé o crucifixo que, denuncia o continuar dos dias seguintes. Traz no olhar o mau humor de mais um dia sem fim. Num passo de conformismo com a vida, dirige-se para o interior
-Sai um copo cookies e silvestres.
As palavras saem a custo e os pés arrastam os dias duros já passados. Calças negras, sapatos apertados, sufocam o ser, as anedotas que tanto gosta de contar, as noites de bola, os amigos, os petiscos, a mulher, os filhos, as discussões, as gargalhadas... Em automatismo ligeiro, numa sociedade robotizada, onde todos traçam o caminho de todos, posa o copo na mesa... A colher inclinada sobre o gelado, revela o sentido da fuga desejada
- São €3,60 por favor.
Entrego-lhe uma nota de €5,00, e num trejeito estéril procura no bolso das ditas calças pretas, o troco.
Vira-se, de ombros descaídos, pesados, e continua o dia repetindo gestos repetidos... A esperança perdida caminha a seu lado...











