terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O lado colorido do Natal


"Rocking horse"
Norman Rockwell

Algo me diz que existem muitos "Pais Natal" como este...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Sábado à noite...

Foi este o poema que viajou até mim no sábado, ao sabor das conversas do momento...

"Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."

Fernando Pessoa, in "O Cancioneiro"

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"Isto"

EntrasTe, já tão longe...

Desvio a cortina do tempo, lembro aquela tarde, naquela sala, ouviste-me dizer a alguém que ansiava saber a nota de V.C. mas só saia à noite. Irrompeste de forma natural, desinterressada, disseste que, como ias ver a tua nota e a de outros colegas, também poderias ver a minha.

Já te conhecia de vista, assim como a tantas outras pessoas do nosso curso. Eras-me indiferente, confesso.

Foi assim que conseguiste o meu número e usaste-o apenas para isso mesmo.

Nos corredores, nas salas, apenas cumprimentos sociais, nada mais...

Passaram 2 anos até ao "então": juntos num trabalho de grupo. As primeiras conversas virtuais, algumas banais outras nem tanto. A ansiedade de Te encontrar online foi crescendo e o sono foi sendo adiado, todas as noites...

Mais um ano.

O primeiro beijo...

Passeios, tantos...

Jantares, vinho e conversas...

Cinema, ópera, fotografia, sol, vento no rosto,
dias "inteiros"...

Houve uma linha de água.

Houve tempo.

Houve encontros, desencontros,
o reencontro...

"Isto"

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

E pronto, é oficial!

"Meu caro leitor!
Se não tens tempo nem oportunidade para consagrar uma dezena de anos da tua vida a uma viagem em volta do mundo para observar tudo o que um circunavegador pode aprender; se te falta, por não teres estudado por muito tempo as línguas estrangeiras, os dons e os meios de te iniciar nas mentalidades diversas dos povos que se relevam aos cientistas; se não pensas em descobrir um novo sistema astronómico que suprima de Copérnico, bem como o de Ptolomeu - então casa-te; e mesmo que tenhas tempo para viajar, dons para os estudos e a esperança de fazer descobertas, casa-te do mesmo modo. Tu não te arrependerás, ainda que isso te impeça de conheceres todo o globo terrestre, de te exprimires em muitas línguas e de compreenderes o espaço celeste; pois o casamento é e continuará a ser a viagem da descoberta mais importante que o homem pode empreender; qualquer outro conhecimento da vida, comparado ao de um homem casado, é superficial, pois ele e só ele penetrou verdadeiramente na existência."

Emmanuel Kant in "Considerações sobre o Casamento em Resposta a Objecções"

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pause

Já há algum tempo que não ouvia este CD... Soube bem este momento para mim, ultimamente não têm sido muitos...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ainda aqui estou!

Já alguma vez se sentiram estupidamente inúteis? É como me tenho sentido ultimamente...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Inconformismo


Sinto o amargo na boca por ser este o último dia. O tempo de inverno trouxe o frio apagado das lágrimas que solto por me sentir tão vazia. Só a Tua volta aliada ao Teu apoio incondicional, trazem paz à minha tristeza de um fado conformado.

Sofro e antecipo em vão o desconhecido...

Talvez...

Prefiro-Te perto, sim! Mas o resto como estava...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Homem


Estou nervosa, ansiosa, com algum receio de, claro está, Falhar! Verbo que nunca gostei de encontrar no caminho.

Porque me limito ao que não é humano, não desenvolvo a superioridade de conhecer e observar a existência de um patamar elevado.

Aceitar os defeitos do Homem não está ao meu alcance.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Existência

"Só o amor e a arte tornam a existência tolerável"

William Maugham in "A Servidão Humana"

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Resistência

Grand Central Station New York

A mudança.

Se há coisa que me assusta sempre é a mudança.

De casa. Detesto encaixotar e desencaixotar coisas. Se pudesse comprava a casa já decorada, mobilada e com as minhas coisas arrumadinhas;

De emprego. Quando gostamos dos colegas, do que fazemos e do local de trabalho. Quando somos “forçados” a – obra no fim = mudança. Não sei se será boa ou má. Terei de levantar-me mais cedo, chegarei mais tarde a casa. Terei a luta diária do trânsito quando antes ia a pé.

E viver neste dilema é egoísmo puro. Eu tenho trabalho. E tenho casa.

Não tenho o direito de sentir desta forma... Mas a verdade é que também não consigo evitar...

O descontentamento constante (do) ser humano, é a única certeza desta ilusão.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Essência


"Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade"

Albert Camus

sábado, 3 de outubro de 2009

Sem Tempo...

Na esquina, lá estavas Tu. Fumavas o nevoeiro de outono. Olhavas o vazio do chão com um sorriso doce.

Imagino o que imaginavas: aquele dia... Sim, aquele dia...

Todo o meu tempo, todo o meu pensamento...

Sem Tempo...

Há-de chegar esse dia...

Esta Senhora está na moda



The Legendary Tiger Man - These Boots Are Made For Walking
(Entre muitas outras versões, esta é a mais recente)

Banda sonora do filme "Kill Bill" de Quentin Tarantino

Moriarty - Lentement Mademoiselle

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Outono


Pousada sobre a mesa, a minha mão. Os dedos, apontam linhas que se afastam no horizonte.

A primeira mostra os olhos fechados da madrugada, a pureza do cantar dos melros que anunciam o nascer de mais um dia.

Outra, desliza até ao cantar do vento. Traz no cabelo, soltas, as folhas amarelas, vermelhas e castanhas, já maduras, sofrimento desenhado.

A terceira... Colhe as uvas, faz o vinho, frutos de um ano vindouro, dourado.

A quarta, diz-me para não revelar os seus segredos, quer guardar todo o sentir, memórias, num baú metamorfoseado em sólida rocha mármore.

A sensatez da quinta revela a sabedoria da idade, simplesmente não se manifesta.

Linhas que vêm do horizonte...
Juntas, numa mão...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Ironia


Passo pelos mesmos sítios em tempos diferentes.

Lembro o tempo em que sonhava o hoje, achando isso mesmo, que era apenas um sonho.

Sorriso de alma a conter... Só mais um pouco...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Lhasa




terça-feira, 15 de setembro de 2009

Meio de conhecimento

"Não, a vida não me desapontou! Pelo contrário, todos os anos a acho melhor, mais desejável, mais misteriosa... desde o dia em que veio a mim a grande libertadora, a ideia de que a vida podia ser experiência para aqueles que procuram saber, e não dever, fatalidade, duplicidade!... Quanto ao próprio conhecimento, seja ele para outros aquilo que quiser, um leito de repouso, ou o caminho para um leito de repouso, ou distracção ou vagabundagem, para mim é um mundo de perigos, é um universo de vitórias onde os sentimentos heróicos têm a sua sala de baile. «A vida é um meio de conhecimento»; quando se tem este princípio no coração, pode viver-se não somente corajoso mas feliz, pode-se rir alegremente! E quem, de resto, se ouvirá, portanto, a bem rir e a bem viver se não for primeiramente capaz de vencer e de guerrear?"

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"

domingo, 13 de setembro de 2009

Lights up



Estação de metro Baixa/Chiado
"Lights Up"
Susana António

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Despedida


Red Roses
Henri Fantin Latour

Ontem, o dia amanheceu cinzento, invadiu os Nossos lençóis e apertou-me a alma. Com o desejo de que a água levasse o desespero, abri o chuveiro dos momentos bons, deliciei-me com as memórias de um verão, passado recente.

E num beijo, em tudo diferente do “até logo” habitual, adormeci na cama do Teu cheiro, embalada pelo sal das Tuas lágrimas... Essas, sou eu quem as chora...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Capa


Às vezes, os Teus olhos olham os meus. Procuram o mundo que existe lá fora, não em mim...

Vivo alheada... Vivo...

Procuro inconsciente, lúcida, compreender o que não é compreensível.

O sem sentido inerente ao quotidiano incomoda-me, turva a água límpida do tempo. Procuro proteger-me em Ti. Incomodam-me os conflitos exteriores à órbita: ausência/excesso.

De pensamento...
De lógica...
De realidade...

Levanta os braços, não deixes a chuva cair sobre mim...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Silence...

Joie de vivre
Pablo Picasso

Existem momentos na vida - tão almejados! - que, quando reais, revelam ser verdadeiramente assustadores...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ou supero ou supero...


Prova de fogo.

Falhar, é verbo que não existe na gramática de hoje...

Dá-me a mão...

Segreda-me ao ouvido

- “Vai correr tudo bem!”

e sorri-me, calmo...

Um dia bom, talvez amanhã...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Beyond here lies nothing

Identidade


Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço


Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Play

The elder childrens games
Pieter Bruegel

Por entre as persianas do escritório vejo as árvores sorrirem, abraçam o prenúncio do outono. O semáforo alterna entre momentos felizes, dilemas, espaços parados e vazios... Gente que circula num movimento forward, frases soltas que se cruzam com os sons transeuntes do mundo, combinação única de notas impossível de ser repetida...

Mãos dadas, pacto de silêncio, sorriso calmo...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Simplesmente...



Noite calma, silêncio...

Observo as luzes móveis de uma cidade estática...

Contemplar...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Aguenta aí

Esta manhã, após ter:

- dado um chuto na cama;
- entornado leite;
- dado uma cabeçada na sapateira;
- dado uma cotovelada na porta do carro;
- entornado café;

conclui que o Sérgio Godinho é que tem razão

"Há dias de manhã em que um homem à tarde não pode sair à noite nem voltar de madrugada"

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Surpresas


A vida contempla-nos com imensas Surpresas.

Existem momentos previstos a acontecer, normais, esperados, como o fim de umas férias quentes de aroma doce e saudoso e o retorno aos locais de vida perdida. Mas também existem Surpresas... E boas!

Surpresa (ê)

s. f.
1. Acto ou efeito de surpreender ou de ser surpreendido.
2. Espanto (causado por algo inesperado).
3. Sobressalto; perturbação; pasmo.
4. Sucesso inesperado, facto ou incidente inopinado.
5. Acção calculada pela qual se pretende agradar ou ser útil a alguma pessoa sem esta o prever.
6. Prazer inesperado.


Agradeço a erros humanos alheios, a Surpresa de Te ter perto mais uma semana.

Que dure para sempre a Surpresa do jantar gourmet de ontem...

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Férias

Make your self at home
Lisa Linch


E chegam as férias, desejadas e merecidas.

Não estão previstas idas à praia até porque, ao contrário de muitos, gosto da praia no inverno, quando não há gente, quando não há cheiro a protector e bronzeador, quando não há bolas, quando não tenho de pedir licença para conseguir encaixar a minha toalha no pedacinho de areal livre que resta. Gosto da praia quando a praia cheira a praia e o mar mostra a sua verdadeira personalidade. Aroma a maresia...

Estão previstos passeios, para conhecer e dar a conhecer um pouquinho da terra de cada um. Idas a esplanadas, jantares, exposições, música, noites de cinema, amigos e muito, muito descando.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A chegada


Foram muitos os dias a ansiar por um dia, o dia de ontem… E ontem desesperei, sumida no meio de tantos outros olhares em procura. Cada carrinho de transporte de bagagens que surgia

- “É Ele! Não... É agora, é Ele! Oh, também não... Saiam, saiam da frente, não consigo ver! E se Ele sai e eu não O vejo? Saiam! Saiam!!! É Ele! Humm, não...”

lá estava eu, expectante, na certeza que eras sempre Tu o próximo a chegar... mas não... Que desespero!

E o avião, tinha que se atrasar? Tinha que apanhar mau tempo? Logo ontem?!

Oh, quando Te vi... Todo o aeroporto ficou vazio. A ansiedade, o desespero, tudo se escondeu. Corri a Teu lado, não me vias mas eu, não Te perdi mais...

E foi bom ver-Te... E foi bom abraçar-Te... Sentir-Te perto, mais perto... O Teu olhar...

Emoção... Intensidade...
Sentir...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

Que saudades, Amiga!...


Lembro-me de Ti...

Numa aula de Geofísica, a professora reparou no Teu rosto, na Tua altura, na Tua imponência, no meio de tantos outros rostos que preenchiam as cadeiras do anfiteatro. Achou que Te conhecia e perguntou se não serias vizinha dela, ao que respondeste, prontamente

- “Não.”

A aula continuou

- “Atchim!!!”

até o Teu espirro peculiar, estridente, ter irrompido sala adentro. Fez-se silêncio. A professora, que na altura escrevia no quadro, virou-se com a sua calma característica, digna dos seus cabelos brancos

- “Definitivamente não a conheço. Confusão minha”

e, a sala perdeu-se numa gargalhada imensa e contagiante. Olhaste para mim a sorrir também e no Teu rosto desabrochava a rosácea, mostrando o Teu sentido de humor. O início de uma longa, cúmplice amizade.

Tenho saudades, Amiga...

Saudades das tuas gargalhadas únicas, de dançar contigo, dos fins de tarde na esplanada a comer um gelado com fruta.

Todos mudamos, crescemos, amadurecemos, experienciamos momentos que nos dão a forma de hoje. Momentos diferentes nas quatro dimensões.

No entanto, procuras nos outros a fé que existe em Ti. Romântico... e utópico.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Dias...


Às vezes Sinto-Me assim.

Observo o mundo que se movimenta, sou invisível... Os Outros não me vêem, eu vejo todos os Outros. Olho a senhora sentada ao meu lado, vai buscar os filhos à escola e pensa no que será o jantar. Observo os óculos escuros da outra senhora, de blusa branca, a esconderem uma possível rotura da criança que brinca com um carrinho azul

- “Vrooomm, vrooomm...”

Vejo os olhos verdes raiados de vermelho do homem à minha frente, talvez cansaço, de certo algo mais, o desânimo de quem não se sente bem na pele que veste. O cheiro a cachaça embriaga todos no sono real.

Olho para mim. Partilho a pressa, a rotina, o cansaço dos Outros. É isso: sou uma estrangeira num país que não é o meu. Esse país: planeta Terra.

Às vezes Sinto assim...

sexta-feira, 24 de julho de 2009


Rodrigo Leão.
Novembro.
É impossível não lembrar aquele domingo soalheiro de outono...

Combinámos um almoço num sítio a decidir. Ponto de encontro: CCB.
Chegaste com o Teu atraso habitual. Nos lábios, um sorriso de saudade, de encontro com o passado.

O encanto...

Decidimos almoçar naquela esplanada italiana. Vinho, contemplação. Risos e sorrisos dançantes. Os olhares tocavam-se, fundiam-se...

Passámos depois, em passos de conversa que fluía por entre a folhagem quente das árvores, para a avenida de luz, onde tantas tardes vieram ao nosso encontro num cumprimento memorável. O cappuccino aqueceu as almas. Toque de mãos, entrelaçar de dedos, de destinos. Já na estação, deu-se o beijo desejado há muito...

Parti no comboio... Tu, vieste comigo...

P.S. - Embora Rodrigo Leão tenha um álbum novo, "A Mãe", foi esta música que me levou à estação...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Espera(nça)


Os preparativos começam. A forma como ela segura as violetas, delicadas mãos suaves reflectindo o ar fresco da manhã, deixa transparecer o sorriso dos dedos rosa, o sangue corre para os braços Dele.

A gata contorce-se nas suas pernas, antecipa. Os livros arrumados, propositados nas estantes. As fotografias emolduradas a não esquecer o indelével. Os cd’s que tocam no íntimo. Tudo espera... Paciência... Perfeição...

Até o aroma do último chá que beberam juntos continua ali, no ar, a pairar, a apreciar, a lembrar, a sorrir, a chorar, a sentir, a esperar... A olhar aquela porta verde...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Xácara das dez meninas

"Era uma vez dez meninas
de uma aldeia muito probe.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão nove.

Era uma vez nove meninas
que só comiam biscoito.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão oito.

Era uma vez oito meninas
em terras de dom Esparguete.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão sete.

Era uma vez sete meninas
lindas como outras não veis.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão seis.

Era uma vez seis meninas
em landas de Charles Quinto.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão cinco.

Era uma vez cinco meninas
em um triângulo equilatro.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão quatro.

Era uma vez quatro meninas
qu'avondavam só ao mês.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão três.

Era uma vez três meninas
em o paço de dom Fuas.
Deu o tranglomanglo nelas
não ficaram senão duas.

Era uma vez duas meninas
ante um home todo espuma.
Deu um tranglomanglo nelas
transformaram-se em só uma.

Era uma vez uma menina
terrada em terral mui fundo.
Deu um tranglomanglo nela
voltaram as dez ao mundo."

Mário Cesariny de Vasconcelos

terça-feira, 21 de julho de 2009

Ver a cores

View to the Amalfi Coast
Carl Aagaard

Contemplamos juntos a vista com que somos presenteados: os deuses reconhecem os sacrifícios mortais e ofertam-nos este presente com sabor a céu.

Sentados, confortáveis, em cadeiras de verga almofadadas, degustamos o vinho rubro e límpido, de paladar frutado. Cobertos pela sombra embalada pelo silêncio do vento, olhamos o olhar incrédulo de cada um nós... Um momento intocável, indelével, de contemplação e prazer... A partilha...

Há um caminho que vemos, sabemos onde nos leva...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Contra-corrente

O desânimo que sentes passa para mim, osmose que acontece durante a tristeza teclada por Ti. Só a esperança do amanhã move o meu rosto: como que orgulhoso de Nós, obriga os lábios a mostrar felicidade.

Agarra essa corda
Atiro agora para as Tuas mãos.
Agarra-Te com força
Com a força que Te resta...
Segue-a até à bóia
Flutua e aguarda, serena,
A Tua chegada.
Apoia-Te nela...
Senta-Te nela...
Sozinha, ela trazer-Te-á até mim
Através do mar escuro,
Profundo, violento,
Mas já tão curto...

Adormece...
Chegarás ao destino depressa...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Loucura


Num movimento inesperado, descubro pormenores do meu lado mais obscuro. A minha inteligência emocional é escassa, caminha numa passadeira rolante sem sair do mesmo sítio. Outras vezes paro e sou levada em sentido contrário. E é então que a leveza pura sentida, é tomada pela ansiedade do ridículo. Muito tempo se passou e a falta sentida transforma-se num buraco negro do qual procuro fugir...

Só mais um pouco...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Frustração...

Às vezes gostava que fosse diferente...

Gostava que lesses as entrelinhas do meu Ser...
Gostava de Te despertar a expressão mais além...
Gostava de Te tocar no sentir vontade de....

A reciprocidade, aqui, não acontece...

Sou demasiado complicada
E, os meus pensamentos são aleatórios
Sem nexo...
Mas não posso deixar de sentir que

Às vezes gostava de Ser diferente...

Cri cri cri foguete

"... Interessam-me os meus amigos

(tão poucos)

interessa-me que haja sol, gosto de estar vivo embora, tão frequentemente, não saiba o que fazer com a vida, não pretendo passar mais tempo debaixo de tanta lombada e ensurdecido por tanta berraria, interessa-me o silêncio, o ventinho nas árvores, a Serra da Estrela, as pobres coisas que à noite não existiam e amanhecem nos passeios, até frigoríficos, até poltronas, a senhora internada no Hospital Miguel Bombarda que em lugar de

- Bom dia

me cumprimentava com a frase

- Cri cri cri foguete

cumprimentava o mundo inteiro com a frase

- Cri cri cri foguete

e trancava-se a seguir numa atitude feroz, deve ter morrido há que tempos e suponho que insiste

- Cri cri cri foguete

num cemitério qualquer a espantar os restantes defuntos, eles indecisos

- O que significará cri cri cri foguete?

e é simples, cri cri cri foguete significa cri cri cri foguete, nunca encontrei cri cri cri foguete em nenhum livro, em nenhuma revista, não consta, e no entanto que importante cri cri cri foguete, que decisivo. O que eu aprendi no Hospital Miguel Bombarda meu Deus, cri cri cri foguete abarca tudo. Lembro-me de mencionar ao meu falecido pai o cri cri cri foguete, do cachimbo dele se tornar mais rápido, de comentar passados tempos

- Cri cri cri foguete é extraordinário

continuando a ruminar nisso, no caso de se ter mantido cá em cima ainda ruminaria consoante eu rumino, na papeleta dela a profissão costureira de chapéus, um trabalho que me põe a sonhar, calculo já não existirem costureiras de chapéus, pessoas úteis,..."

António Lobo Antunes
in Visão
16 de Julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Imaginarium


As bolas de sabão flutuam na corrente de fumo, perfume quente que descreve em letras pequenas, as palavras que correm nas ruas, gritando em silêncio o Teu nome. E lá vou eu, bola de sabão, toco o Teu rosto, num beijo sonhado.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Blue Mood

Blue Nude
Pablo Picasso, 1902

O sabor amargo da Tua ausência, desperta os sentidos da noite apurados pelo silêncio que habita agora as ruas. A nossa casa faz-me companhia na insónia chegada, aconchega-me com palavras soltas pelo soalho de madeira, com o vento que afaga as janelas, sussurrando baixinho o Teu nome.

Sinto dores no corpo, presença da tua falta... Dores nas pernas por não caminhar os Teus passos... Ouvidos que agudizam o não ouvir o Teu respirar... Porque o corpo físico reflecte a dor que já não é apenas contida na alma...

Sobrevivo no sofrimento, na esperança de não morrer à chegada... Desejo tanto...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pintura a Óleo


Nos escombros do passado, existem folhas escritas de dissabores que, moram algures num canto, onde o canto dos pássaros não chega, nem o perfume do vento silvestre. Existem folhas que falam ao ouvido cores desmaiadas sobre o vermelho derramado pelo chão.

E no palácio do regozijo a ser amanhã, existem serões saboreados sob a luz quente da lua. Existem sombras brancas que apaziguam a alma, o toque do sentir a inundar os corpos fluidos que se misturam criando novas cores...

Porque olho e vejo... Dualidade a ser unidade...

Jogo das Escondidas


Arrastei os pés até lá. As minhas mãos sorriam forçadamente. Saíram palavras mudas, que se esconderam logo atrás das costas, tremendo, ansiando que ninguém reparasse nelas. Já passou. Correu bem. As palavras já têm prática neste jogo.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Elos

Estava eu à espera que o metro chegasse quando, uma rapariga se senta a meu lado. Da mala tirou um caderno onde começou a escrever. Era loira, com cabelo curto incerto, olhos verdes outono e pele tom caramelo. Escrevia datas. No ventre, por baixo de uma blusa solta, azul marinho a libertar um mar de verão, um alguém com encontros futuros a acontecer num amanhã... Um ser que espera pelo metro, mundo com tantas cores...

Sentires que se fundem num abraço de Vida!

Laço de sangue que não se desata...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Outlook
Peter Quidley

Olhar-Te, ver-Te, tocar-Te com os meus olhos...

O Rio Tempo

Escorrem os dias
No rio dos meus passos.
Vagueio por entre seixos
De onde se soltam sedimentos,
Beijos dados ao sol...
Desaguo em teus braços
Rio que desagua no mar...
Misto de doce e salgado que
Me beija e me morde...

O silêncio da falta a calar o murmúrio do tempo...

sábado, 4 de julho de 2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Escada

Entro em casa e fecho a porta. Ao fundo do corredor, as escadas que sobem em direcção a Ti. Subo o primeiro degrau: um turbilhão de emoções surgem no vazio da minha mente. Subo a seguir, o degrau da Ausência, tão alto!, que os meus passos quase não conseguem alcançar. O degrau da Saudade vem depois, tão estreito que mal me consigo equilibrar. Caio inúmeras vezes sobre a saudade onde fico por momentos, exausta de subir em vão. Lembro Sísifo... Levanto-me e tento subir de novo a Saudade e, chegar ao cimo de Ti!...

Tudo se repetirá...

Mas vale a pena...

Pormenores de Ti...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Ti...


Hoje...
Olho para Ontem,
Um jantar que calou o tempo...

Olho para Ontem e, Ontem, nem imaginava!
Hoje, um sentir que corrompe distâncias...
Hoje, os olhares tocam-se onde o mar acaba...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Entre a chuva...

...o arco-íris faz sobressair a vida e a paixão inerente ao Teu articular espontâneo, movimentos coloridos do Teu Ser curioso. E o verde sente-se na palma dos pés, fresco... corro em direcção ao azul céu e deito-me nele, respiro o aroma violeta da ansiedade.

Flores cobrem os verdes campos... Presente primaveril a exilar o inverno no canto dos momentos excluidos pelo lembrar...

Dance With Me...

terça-feira, 30 de junho de 2009

Introspecção

Female figure with head of flowers
Salvador Dalí, 1937

A vontade não é nenhuma mas a obrigação é muita...
Vontade de andar.
De ver.
De sentar.
De calar.
De dormir...

O jeito não é nenhum mas vontade, imensa!
Vontade de estar perto.
De falar.
De tocar.
De olhar.
De ouvir.
De sentir...

Beijo a agridoce vida...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sede

Do meu punho fechado saem grãos de areia. Trazem gravados instantes, fracções de segundo... São fotografias de tempos partilhados, tempos que escorrem lado a lado num mesmo sentido, numa distância entre si onde as mãos não chegam...

No imenso areal sobressaem aqueles instantes, aqueles dias abraçados pela memória, a miragem de um oásis no horizonte, no meio de tantos outros grãos de areia a formarem um deserto... Surges Tu a desfrutar das águas frescas que abundam, das frutas maduras, doces e sumarentas que se desfazem no teu olhar profundo e as tâmaras satisfazem os paladares mais gulosos.

Percorro o deserto sozinha... Tanto calor... Tanta sede...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Máquina do Tempo


Ontem, em conversa despreocupada com o Ricardo, surgiu a hipótese de ser criada uma máquina do tempo, uma máquina que nos permitisse viajar no tempo de forma invisível, como meros espectadores sem nunca intervir de forma directa. Seria óptimo presenciar momentos passados que traçaram o nosso caminho até ao presente. Mas seria também possível presenciar momentos que continuam a ser uma incógnita nos dias de hoje, que têm a sua própria magia por serem isso mesmo, um mistério.

Seria possível presenciar a batalha de Alcácer Quibir, por exemplo, e conhecer os verdadeiros factos associados ao desaparecimento de D. Sebastião, terminando com o famoso estigma do povo português. E recuando ainda mais no tempo, seria possível descobrir as causas do desaparecimento de civilizações míticas como a Maia, deitando por terra as teorias de uns, vingando as de outros, ou surgiriam até respostas nunca antes imaginadas.

E o que dizer da própria Origem do Homem?

A História seria rescrita com uma maior precisão, isso é certo. Mas também geraria, muito provavelmente, guerras religiosas e/ou políticas, e a História perderia todos os seus enigmas, tão bons de imaginar e essenciais para muitos.

Talvez desse resposta ao verdadeiro objectivo da nossa existência... ou não...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sobrelevação do Sentir...

A chaleira denuncia o nervosismo particular da saudade. São cinco horas. Com a delicadeza habitual, Leonor coloca no bule uma infusão de pétalas de rosa e gengibre, e o aroma exótico invade espaços da casa nunca antes explorados, cada canto faz agora adivinhar um recanto do oriente.

A mesa está posta. Há duas chávenas, dois pires e duas colheres. Há bolinhos de canela, outros de manteiga, e num cesto de verga, sobre um pano bordado a ponto cruz, estão scones ainda quentes. De um lado um frasco de compota de framboesa, do outro a manteiga. Tudo está meticulosamente arrumado sobre uma toalha branca de linho, usada apenas em ocasiões especiais.

Leonor, em desassossego disfarçado, senta-se então aguardando a sua vinda. Olha o relógio: cinco e dez. Tem pele branca, suave, as maçãs do rosto ligeiramente rosadas pelos raios de sol que a beijam logo pela manhã. Os cabelos dourados caem sobre os ombros, lançando sobre o si um perfume a lavanda e jasmim. Traz um vestido branco, solto e comprido, evidenciando as linhas delicadas e belas do seu busto.

O portão do jardim dá as boas-vindas a quem chega. Leonor, tentando controlar o estado de ansiedade e exaltação, abre a porta de casa. É Miguel.

Miguel traz o sofrimento vincado no rosto, as saudades sentidas do passado perdidas no infinito. No olhar, traz palavras de absurdo e de culpa. As lágrimas e o sorriso de quem encontra o paraíso julgado perdido em memórias perenes. A sua roupa cheira a fome, pobreza e guerra, cheira a ganância de uns, a suor estéril de outros... As linhas nas palmas das mãos, desenham a queda de um sofrimento de anos...

Há um abraço que pára o tempo no tempo... As papoilas fundem-se com as espigas do campo, ao sabor do vento de uma tarde primaveril.

O chá frio, aquece os olhares calmos e tranquilos, num silêncio em notas de pétalas de rosa e de gengibre. Momento indelével na sobrelevação do sentir...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Lembro...


Lembro um fim de tarde de verão passado junto ao Tejo, onde a ironia do destino era contemplada...

Sorrisos, palavras soltas por olhares...

E o fresco da relva tropeçou em nós e ali ficou, a saborear os frutos amadurecidos pelo sol e pelo tempo...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

7

Nude with Mirror
Joan Miró, 1919

"Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro."

Mário de Sá-Carneiro

sábado, 20 de junho de 2009

Dias Bons...





A noite do reencontro...









Um passeio nas estufas quente e fria...




...e os muitos passeios nas ruas de Lisboa, a contemplar a luz e a cidade...


No Cabo da Roca...



...e uma ida à pitoresca praia de São Pedro de Moel (Marinha Grande) sítio de que tanto gosto, mesmo em dias de chuva.



Muitas e muitas idas a Belém...












Não se deixem enganar pela aparente serenidade do bichinho, é daqueles que não ladra...


...mas morde!

São dias como estes, perpétuos no tempo, que me fazem acreditar no amanhã...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A volta

Le Seducteur
René Magritte

Navego nas margens do teu olhar, procurando o cais das emoções. Chegada ao local de destino, atraco desamores, sofrimentos passados nos recônditos escondidos que a memória não lembra. Abraço a terra que me abraça de volta, na ausência causada pela Tua falta, na distância... Tantos anos no mar dos teus olhos não fizeram esquecer os aromas da Tua presença em mim. Há mágoas passadas que se perdem no tempo, na escrita do amanhã feliz. E quando chegas, as palavras desfazem-se em letras que voam no sopro da saudade, perdendo-se a tristeza no momento feliz. Que chegue o amanhã depressa!... O amanhã da tua volta...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Conversa com criança de 5 anos

Entrei no metro e sentei-me. À minha frente, sentada ao colo da mãe, uma criança de olhos negros bem arregalados, pousados sobre os meus. Sorriu, correspondi:

- Como te chamas?
- Ana – respondi eu surpresa e ridiculamente intimidada, nunca soube muito bem como lidar com crianças – E tu?
- João – de dedo na boca, mostrava as pinceladas brancas do seu sorriso! – Quantos anos tens?
- Ccchhh! Isso não se pergunta, João! – repreendeu a mãe num gesto automático e mecânico, accionado pela pergunta indiferente socialmente inconveniente - Desculpe...-assumindo a culpa de gravidade ausente.
- 29.
- Isso é quantos?
- São duas mãos, mais duas mãos, mais uma, mais 4 dedinhos. – expliquei eu, em vão, mostrando as minhas mãos magras a alguém que, na sua inocência, não sabe quanto é esse tempo... – São muitos! E tu, quantos anos tens?

Mostrou-me a palma da mão e cinco dedos bem erguidos com orgulho de homem feito!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

(Des)Encontro

Café Terrace on the Place du Forum, Arles, at Night
Vincent van Gogh, 1888

Em conversa amena de café com uma amiga, tomo o gosto do momento e sorvo as palavras que nos escorrem entre os curtos silêncios e o saborear de uma água. E no desabafo dos dias, que passam quase sem os vermos, existem pormenores, detalhes que nos fazem sorrir e perceber aromas não sentidos em tempo real.

O rapaz da mesa ao lado observa-nos e contempla a nossa conversa. Olha para a Maria com um entusiasmo adolescente, escondido sob a sua barba madura, e ela sorri-lhe. Segura firmemente a caneta com que escreve letras juntas, que deixam adivinhar o seu pensamento dela...

E a conversa continua. E o silêncio permanece...
Um (des)encontro(?)... Um dia bom que faz sonhar...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ccchhhh...

Ccchhhh...
Silêncio...

É o silêncio que me deixa ouvir o cantar do sol
Ou o bater de asas de uma borboleta
Que pousa, tão delicadamente!
Sobre a minha mão.

Ccchhhh!!!
Silêncio!

Silêncio
Que se vai cantar o fado!
É ele que me deixa ouvir as palavras sussurradas
Nos lábios das gentes
No cantar do seu destino.

Ccchhhh...
Silêncio...

Deixei-me ouvir

O que trago no peito.
Olhar único,
Tão perfeito!

Momentos II

Sinto a chuva molhar-me os pés... A fúria dos céus contrasta com as minhas roupas alegres, típicas de verão e com as sandálias tão peculiarmente minhas, onde uma gota de água em cada pé reflecte o brilho dos meus olhos. Há um mar... Lágrimas de saudade que cessam na contagem do tempo que anuncia o relógio de areia... As pessoas correm apressadas, mais do que o tempo, mas sem tempo para o tempo... E tudo passa em câmara lenta... Sorrio... A trovoada aperta-me o peito, encosta-me a Ti...

For You...

"You said I'm stubborn
And I never give in
I think you're stubborn
'Cept you're always softening
You say I'm selfish
I agree with you on that
I think you're giving out
In way too much in fact
I say we've only known
Each other one year

You say I've known
You longer my dear
You like to be so close
I like to be alone
I like to sit on chairs
And you prefer the floor
Walking with each other
Think we'll never
Match at all
But we do (4x)

I thought I knew myself
Somehow you know me more
I've never known this
Never before
You're the first
To make out
Whenever we are two
I don't know who I'd be
If I didn't know you
You're so provocative
I'm so conservative
You're so adventurous
I'm so very cautious
Combining
You think
We would and we do
But we do (3x)


Favouritism
Ain't my thing
But in this situation
I'll be glad

Favouritism
Ain't my thing
But in this situation
I'll be glad
To make an exception"

Adele

sábado, 13 de junho de 2009

Momentos Epicuristas...

















...porque o tempo traz os ventos do reencontro...




...e da esperança...














quinta-feira, 11 de junho de 2009

Passado e Presente

No fim de mais um dia, há uma imagem que retenho na memória:

Um dia quente de verão onde o pensamento reflecte a luz branca do dia que encandeia os olhares mais atentos.

A viagem foi longa e a estrada transpirava, ali deitada, como que a adivinhar o meu destino. As árvores, num gesto cansado, acenavam à minha passagem e desenhavam no céu um rasto verde aguarela, na sua lentidão, tão natural...

Chego a casa. Abre a porta num misto de surpresa e de tristeza, procura o conforto nos meus olhos, nos meus braços, no conhecimento do meu saber... Chora o desespero do passado e o alívio do presente... O sofrimento dos últimos meses está vincado nas suas, nas minhas mãos que se contorcem na tentativa de se acalmarem uma à outra. É inútil... Todas as palavras não chegam para alcançar tamanha dor. Permaneço calada, fechada no meu ermo, no desconforto dos anos passados, no conforto do silêncio, tão familiar...

O cheiro a morte invade-me a memória, trazendo até ela, até mim o que não quero lembrar... O que não quero esquecer... Ouvem-se murmúrios de lamentos, palavras vãs que apenas vincam a dor no peito de quem se quer acalmar... As flores, os choros, os sussurros, os gestos cínicos de quem aproveita para reencontrar alguém que já não vê

- ... há dois anos? Três? O tempo passa... E são precisas estas desgraças para nós encontrarmos..."

Vêem-se sorrisos, ouvem-se gargalhadas que, logo se fecham ao ver o sofrimento passar a seu lado.

Sento-me calada e observo as hortênsias, tão lindas!, que suavizam o vento, solto pelo avançar do sol no horizonte..

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Marisa Monte - Cérebro Eletrônico

"O cérebro eletrônico faz tudo
Faz quase tudo
Faz quase tudo
Mas ele é mudo

O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda

Só eu posso pensar
Se Deus existe
Só eu
Só eu posso chorar
Quando estou triste
Só eu

Eu cá com meus botões
De carne e osso
Eu falo e ouço
Eu penso e posso

Eu posso decidir
Se vivo ou morro por que
Porque sou vivo
Vivo pra cachorro e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
No meu caminho inevitável para a morte

Porque sou vivo
Sou muito vivo e sei
Que a morte é nosso impulso primitivo e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Com seus botões de ferro e seus olhos de vidro"

Música e letra: Gilberto Gil

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Cómoda das Memórias

Ontem foi um dia assim...

Sentei-me no banco de verga e abri algumas das gavetas da cómoda das memórias.
Que desarrumação! Gavetas torcidas, mal fechadas, cheias de momentos desorganizados na confusão dos instantes de lucidez. Há fotografias misturadas com poemas, frases soltas, aromas a outono e a jardins em flor...

Há dias únicos...

Há um jantar a meia luz, em tons quentes de verão... Há olhos doces no regozijo do (re)encontro... Há poesia nos gestos expressivos, desencontrados das palavras... Há umas sandálias douradas que percorrem na noite, as ruas de Lisboa... Há brincadeiras que soltam momentos indeléveis... Há muitos beijos recusados, um beijo dado... Há palavras duras, e há palavras meigas... Há dedos entrelaçados e o desejo sonhado... Há um “olá” na despedida e um sorriso perene que adormece connosco...

Porque há dias assim...
"Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se,
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha, pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja..."

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Diariamente

Imagem do filme "Revolutionary Road"

Abro a portada da janela e vejo as nuvens cinzentas que cobrem o céu... Lá fora, o lamento de mais um dia vem dos Outros, dos rostos, tão iguais que, com um ar compenetrado e responsável, se dirigem em sentido contrário para os locais de vida perdida, num movimento de vida continuada. Vêem-se as preocupações na órbita das suas cabeças, formando o sistema dos deveres de adulto social.

Cai a chuva nos seus rostos já molhados, e num acto inútil, tentam proteger-se. Dizem “Bom Dia” com um sorriso amalgamado aos Outros, aos rostos, tão iguais...

Já é tarde...

Dirijo-me ao local de vida perdida, num movimento de vida continuada... Cruzo-me com tantos Outros, rostos, tão iguais...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Passos Dados

No meio dos “Eus”, caminho...
Cruzo-me com o choro da fome,
O grito da carne crua, ferida,
Gargalhadas de encontros,
Seres felizes
Na infelicidade dos outros...

Há pés que pisam as calçadas de sempre
Que, os cumprimentam e reconhecem
O que decalcam e pisam...
Há pés que adivinham novos passos
Sorriem no prazer da descoberta...

Há silêncios de dor,
Há olhos chorados
Beijos dados
Mãos dadas
Na indiferança, hábito
Amor...

Há casas pequenas grandes...

Há casas grandes pequenas...

Há palavras mudas
Faladas e ditas
Magoadas
Sentidas
Suadas...

Há o encontro de TI,
Vens sempre comigo...

terça-feira, 2 de junho de 2009

Momentos

Encostada à esquina da vida, traço a linha do tempo... Por entre os devaneios do pensar, encontro a calma, que me sorri e convida para entrar. É então que Tu te sentas a meu lado e, com o Teu sorriso natural, pedes um chá, um chá de hortelã-pimenta.

Reparo no relógio, dourado, que trazes no pulso. Está parado... Sinto o aroma dos ventos quentes e, num momento de silêncio, reparo nas Tuas mãos canela. As rugas do tempo que não passou estão nas tuas vestes, nas minhas, e desenham na plenitude o encontro de um olhar infinito. Observo o nosso rosto... Contemplo... Está parado...

domingo, 31 de maio de 2009

Domingo no Mundo

"Acorda rapaz, o dia rompe
Através do sono escuro
Abriga o teu corpo de onze anos
Tens que ir trabalhar no duro

No ano passado, neste tempo
Ainda andavas tu na escola
Mas a família cresce e tu és rijo
E aqui ninguém pede esmola

Hoje vais ser homem
Por quase nove horas
Sabes lá das horas...
Mas talvez amanhã seja domingo no mundo
E tudo bata certo nem que por um segundo
Fogo-de-artifício se veria
Se fosse assim p´ra sempre um dia

Cuidado
Atenção
É proibido fazer lume
Risco de explosão

Carregas canudos em caixotes
Fazes fogos de artifício
Misturas a pólvora às estrelas
E o arco-íris ao bulício

Se chega o fiscal, faz-te de tolo
Estás ali porque até gostas
Deixa o patrão dar-lhe o envelope
E ficas logo grande, apostas?

Hoje vais crescer
P’ra lá do teu tamanho
O cansaço é tamanho...
Mas talvez amanhã seja domingo no mundo
E tudo bata certo nem que por um segundo
Fogo-de-artifício explodiria
Se fosse assim p´ra sempre um dia

Cuidado
Atenção
É proibido fazer lume
Risco de explosão

Cuidado com o manuseamento
Não te enganes tu também
Olhas de soslaio o tipo ao lado
Que três dedos a menos tem

Paras p´ro almoço e à socapa
Vês revistas de homens grandes
Vais ter que acender o teu cigarro
Nem que pelos ares te mandes

Ah, como é difícil
Saber do amor
Eu sei lá o que é o amor...
Mas talvez amanhã seja domingo no mundo
E tudo bata certo nem que por um segundo
Fogo-de-artifício explodiria
Se tu me amasses algum dia

Cuidado
Atenção
É proibido fazer lume
Risco de explosão

Na fábrica de fogo-de-artifício
Houve, dizem, fogo posto
E um menino sonha a noite inteira
Que perdeu no escuro o rosto"

Sérgio Godinho

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Repetição

Numa esplanada qualquer das muitas que existem nas tantas avenidas de Lisboa

- Boa tarde. Queria um gelado por favor, um copo com duas bolas, uma de cookies e outra de frutos silvestres.

A camisa branca suada e as lágrimas de cansaço que lhe afagam o rosto, denunciam o calor que se faz sentir. Num gesto firmemente submisso, acaricia a mesa com um pano húmido. Um fio dourado que reflecte o verão, abraça-lhe o pescoço agarrando com fé o crucifixo que, denuncia o continuar dos dias seguintes. Traz no olhar o mau humor de mais um dia sem fim. Num passo de conformismo com a vida, dirige-se para o interior

-Sai um copo cookies e silvestres.

As palavras saem a custo e os pés arrastam os dias duros já passados. Calças negras, sapatos apertados, sufocam o ser, as anedotas que tanto gosta de contar, as noites de bola, os amigos, os petiscos, a mulher, os filhos, as discussões, as gargalhadas... Em automatismo ligeiro, numa sociedade robotizada, onde todos traçam o caminho de todos, posa o copo na mesa... A colher inclinada sobre o gelado, revela o sentido da fuga desejada

- São €3,60 por favor.

Entrego-lhe uma nota de €5,00, e num trejeito estéril procura no bolso das ditas calças pretas, o troco.

Vira-se, de ombros descaídos, pesados, e continua o dia repetindo gestos repetidos... A esperança perdida caminha a seu lado...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ausência

Escrevo palavras soltas, sem nexo, assim como a vida é escrita em tons maiores de absurdo. Numa fuga ao quotidiano, num refúgio ao caminhar sobre o arame, descanso por momentos da lucidez insana habitual, no vento que acaricia a folhagem das árvores, e sinto uma paz utópica. Procuro-te em vão... Difundes-te agora nos grãos de areia quente do continente africano... Sinto a tua dor como minha e, o teu sacrifício revela o que de melhor tens e a força desconhecida. Trazes o mundo na palma da mão e decifras os códigos de gentes comuns em culturas diferentes. E em tom de desabafo, dizes baixinho o teu estado de sentir... Num gesto inútil de saudade, abraço as tuas palavras que se perdem nos meandros do meu ser. E no absurdo de mais um dia, perco-me na tua ausência...