sexta-feira, 31 de julho de 2009

Férias

Make your self at home
Lisa Linch


E chegam as férias, desejadas e merecidas.

Não estão previstas idas à praia até porque, ao contrário de muitos, gosto da praia no inverno, quando não há gente, quando não há cheiro a protector e bronzeador, quando não há bolas, quando não tenho de pedir licença para conseguir encaixar a minha toalha no pedacinho de areal livre que resta. Gosto da praia quando a praia cheira a praia e o mar mostra a sua verdadeira personalidade. Aroma a maresia...

Estão previstos passeios, para conhecer e dar a conhecer um pouquinho da terra de cada um. Idas a esplanadas, jantares, exposições, música, noites de cinema, amigos e muito, muito descando.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A chegada


Foram muitos os dias a ansiar por um dia, o dia de ontem… E ontem desesperei, sumida no meio de tantos outros olhares em procura. Cada carrinho de transporte de bagagens que surgia

- “É Ele! Não... É agora, é Ele! Oh, também não... Saiam, saiam da frente, não consigo ver! E se Ele sai e eu não O vejo? Saiam! Saiam!!! É Ele! Humm, não...”

lá estava eu, expectante, na certeza que eras sempre Tu o próximo a chegar... mas não... Que desespero!

E o avião, tinha que se atrasar? Tinha que apanhar mau tempo? Logo ontem?!

Oh, quando Te vi... Todo o aeroporto ficou vazio. A ansiedade, o desespero, tudo se escondeu. Corri a Teu lado, não me vias mas eu, não Te perdi mais...

E foi bom ver-Te... E foi bom abraçar-Te... Sentir-Te perto, mais perto... O Teu olhar...

Emoção... Intensidade...
Sentir...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

Que saudades, Amiga!...


Lembro-me de Ti...

Numa aula de Geofísica, a professora reparou no Teu rosto, na Tua altura, na Tua imponência, no meio de tantos outros rostos que preenchiam as cadeiras do anfiteatro. Achou que Te conhecia e perguntou se não serias vizinha dela, ao que respondeste, prontamente

- “Não.”

A aula continuou

- “Atchim!!!”

até o Teu espirro peculiar, estridente, ter irrompido sala adentro. Fez-se silêncio. A professora, que na altura escrevia no quadro, virou-se com a sua calma característica, digna dos seus cabelos brancos

- “Definitivamente não a conheço. Confusão minha”

e, a sala perdeu-se numa gargalhada imensa e contagiante. Olhaste para mim a sorrir também e no Teu rosto desabrochava a rosácea, mostrando o Teu sentido de humor. O início de uma longa, cúmplice amizade.

Tenho saudades, Amiga...

Saudades das tuas gargalhadas únicas, de dançar contigo, dos fins de tarde na esplanada a comer um gelado com fruta.

Todos mudamos, crescemos, amadurecemos, experienciamos momentos que nos dão a forma de hoje. Momentos diferentes nas quatro dimensões.

No entanto, procuras nos outros a fé que existe em Ti. Romântico... e utópico.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Dias...


Às vezes Sinto-Me assim.

Observo o mundo que se movimenta, sou invisível... Os Outros não me vêem, eu vejo todos os Outros. Olho a senhora sentada ao meu lado, vai buscar os filhos à escola e pensa no que será o jantar. Observo os óculos escuros da outra senhora, de blusa branca, a esconderem uma possível rotura da criança que brinca com um carrinho azul

- “Vrooomm, vrooomm...”

Vejo os olhos verdes raiados de vermelho do homem à minha frente, talvez cansaço, de certo algo mais, o desânimo de quem não se sente bem na pele que veste. O cheiro a cachaça embriaga todos no sono real.

Olho para mim. Partilho a pressa, a rotina, o cansaço dos Outros. É isso: sou uma estrangeira num país que não é o meu. Esse país: planeta Terra.

Às vezes Sinto assim...

sexta-feira, 24 de julho de 2009


Rodrigo Leão.
Novembro.
É impossível não lembrar aquele domingo soalheiro de outono...

Combinámos um almoço num sítio a decidir. Ponto de encontro: CCB.
Chegaste com o Teu atraso habitual. Nos lábios, um sorriso de saudade, de encontro com o passado.

O encanto...

Decidimos almoçar naquela esplanada italiana. Vinho, contemplação. Risos e sorrisos dançantes. Os olhares tocavam-se, fundiam-se...

Passámos depois, em passos de conversa que fluía por entre a folhagem quente das árvores, para a avenida de luz, onde tantas tardes vieram ao nosso encontro num cumprimento memorável. O cappuccino aqueceu as almas. Toque de mãos, entrelaçar de dedos, de destinos. Já na estação, deu-se o beijo desejado há muito...

Parti no comboio... Tu, vieste comigo...

P.S. - Embora Rodrigo Leão tenha um álbum novo, "A Mãe", foi esta música que me levou à estação...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Espera(nça)


Os preparativos começam. A forma como ela segura as violetas, delicadas mãos suaves reflectindo o ar fresco da manhã, deixa transparecer o sorriso dos dedos rosa, o sangue corre para os braços Dele.

A gata contorce-se nas suas pernas, antecipa. Os livros arrumados, propositados nas estantes. As fotografias emolduradas a não esquecer o indelével. Os cd’s que tocam no íntimo. Tudo espera... Paciência... Perfeição...

Até o aroma do último chá que beberam juntos continua ali, no ar, a pairar, a apreciar, a lembrar, a sorrir, a chorar, a sentir, a esperar... A olhar aquela porta verde...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Xácara das dez meninas

"Era uma vez dez meninas
de uma aldeia muito probe.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão nove.

Era uma vez nove meninas
que só comiam biscoito.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão oito.

Era uma vez oito meninas
em terras de dom Esparguete.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão sete.

Era uma vez sete meninas
lindas como outras não veis.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão seis.

Era uma vez seis meninas
em landas de Charles Quinto.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão cinco.

Era uma vez cinco meninas
em um triângulo equilatro.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão quatro.

Era uma vez quatro meninas
qu'avondavam só ao mês.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão três.

Era uma vez três meninas
em o paço de dom Fuas.
Deu o tranglomanglo nelas
não ficaram senão duas.

Era uma vez duas meninas
ante um home todo espuma.
Deu um tranglomanglo nelas
transformaram-se em só uma.

Era uma vez uma menina
terrada em terral mui fundo.
Deu um tranglomanglo nela
voltaram as dez ao mundo."

Mário Cesariny de Vasconcelos

terça-feira, 21 de julho de 2009

Ver a cores

View to the Amalfi Coast
Carl Aagaard

Contemplamos juntos a vista com que somos presenteados: os deuses reconhecem os sacrifícios mortais e ofertam-nos este presente com sabor a céu.

Sentados, confortáveis, em cadeiras de verga almofadadas, degustamos o vinho rubro e límpido, de paladar frutado. Cobertos pela sombra embalada pelo silêncio do vento, olhamos o olhar incrédulo de cada um nós... Um momento intocável, indelével, de contemplação e prazer... A partilha...

Há um caminho que vemos, sabemos onde nos leva...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Contra-corrente

O desânimo que sentes passa para mim, osmose que acontece durante a tristeza teclada por Ti. Só a esperança do amanhã move o meu rosto: como que orgulhoso de Nós, obriga os lábios a mostrar felicidade.

Agarra essa corda
Atiro agora para as Tuas mãos.
Agarra-Te com força
Com a força que Te resta...
Segue-a até à bóia
Flutua e aguarda, serena,
A Tua chegada.
Apoia-Te nela...
Senta-Te nela...
Sozinha, ela trazer-Te-á até mim
Através do mar escuro,
Profundo, violento,
Mas já tão curto...

Adormece...
Chegarás ao destino depressa...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Loucura


Num movimento inesperado, descubro pormenores do meu lado mais obscuro. A minha inteligência emocional é escassa, caminha numa passadeira rolante sem sair do mesmo sítio. Outras vezes paro e sou levada em sentido contrário. E é então que a leveza pura sentida, é tomada pela ansiedade do ridículo. Muito tempo se passou e a falta sentida transforma-se num buraco negro do qual procuro fugir...

Só mais um pouco...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Frustração...

Às vezes gostava que fosse diferente...

Gostava que lesses as entrelinhas do meu Ser...
Gostava de Te despertar a expressão mais além...
Gostava de Te tocar no sentir vontade de....

A reciprocidade, aqui, não acontece...

Sou demasiado complicada
E, os meus pensamentos são aleatórios
Sem nexo...
Mas não posso deixar de sentir que

Às vezes gostava de Ser diferente...

Cri cri cri foguete

"... Interessam-me os meus amigos

(tão poucos)

interessa-me que haja sol, gosto de estar vivo embora, tão frequentemente, não saiba o que fazer com a vida, não pretendo passar mais tempo debaixo de tanta lombada e ensurdecido por tanta berraria, interessa-me o silêncio, o ventinho nas árvores, a Serra da Estrela, as pobres coisas que à noite não existiam e amanhecem nos passeios, até frigoríficos, até poltronas, a senhora internada no Hospital Miguel Bombarda que em lugar de

- Bom dia

me cumprimentava com a frase

- Cri cri cri foguete

cumprimentava o mundo inteiro com a frase

- Cri cri cri foguete

e trancava-se a seguir numa atitude feroz, deve ter morrido há que tempos e suponho que insiste

- Cri cri cri foguete

num cemitério qualquer a espantar os restantes defuntos, eles indecisos

- O que significará cri cri cri foguete?

e é simples, cri cri cri foguete significa cri cri cri foguete, nunca encontrei cri cri cri foguete em nenhum livro, em nenhuma revista, não consta, e no entanto que importante cri cri cri foguete, que decisivo. O que eu aprendi no Hospital Miguel Bombarda meu Deus, cri cri cri foguete abarca tudo. Lembro-me de mencionar ao meu falecido pai o cri cri cri foguete, do cachimbo dele se tornar mais rápido, de comentar passados tempos

- Cri cri cri foguete é extraordinário

continuando a ruminar nisso, no caso de se ter mantido cá em cima ainda ruminaria consoante eu rumino, na papeleta dela a profissão costureira de chapéus, um trabalho que me põe a sonhar, calculo já não existirem costureiras de chapéus, pessoas úteis,..."

António Lobo Antunes
in Visão
16 de Julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Imaginarium


As bolas de sabão flutuam na corrente de fumo, perfume quente que descreve em letras pequenas, as palavras que correm nas ruas, gritando em silêncio o Teu nome. E lá vou eu, bola de sabão, toco o Teu rosto, num beijo sonhado.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Blue Mood

Blue Nude
Pablo Picasso, 1902

O sabor amargo da Tua ausência, desperta os sentidos da noite apurados pelo silêncio que habita agora as ruas. A nossa casa faz-me companhia na insónia chegada, aconchega-me com palavras soltas pelo soalho de madeira, com o vento que afaga as janelas, sussurrando baixinho o Teu nome.

Sinto dores no corpo, presença da tua falta... Dores nas pernas por não caminhar os Teus passos... Ouvidos que agudizam o não ouvir o Teu respirar... Porque o corpo físico reflecte a dor que já não é apenas contida na alma...

Sobrevivo no sofrimento, na esperança de não morrer à chegada... Desejo tanto...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pintura a Óleo


Nos escombros do passado, existem folhas escritas de dissabores que, moram algures num canto, onde o canto dos pássaros não chega, nem o perfume do vento silvestre. Existem folhas que falam ao ouvido cores desmaiadas sobre o vermelho derramado pelo chão.

E no palácio do regozijo a ser amanhã, existem serões saboreados sob a luz quente da lua. Existem sombras brancas que apaziguam a alma, o toque do sentir a inundar os corpos fluidos que se misturam criando novas cores...

Porque olho e vejo... Dualidade a ser unidade...

Jogo das Escondidas


Arrastei os pés até lá. As minhas mãos sorriam forçadamente. Saíram palavras mudas, que se esconderam logo atrás das costas, tremendo, ansiando que ninguém reparasse nelas. Já passou. Correu bem. As palavras já têm prática neste jogo.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Elos

Estava eu à espera que o metro chegasse quando, uma rapariga se senta a meu lado. Da mala tirou um caderno onde começou a escrever. Era loira, com cabelo curto incerto, olhos verdes outono e pele tom caramelo. Escrevia datas. No ventre, por baixo de uma blusa solta, azul marinho a libertar um mar de verão, um alguém com encontros futuros a acontecer num amanhã... Um ser que espera pelo metro, mundo com tantas cores...

Sentires que se fundem num abraço de Vida!

Laço de sangue que não se desata...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Outlook
Peter Quidley

Olhar-Te, ver-Te, tocar-Te com os meus olhos...

O Rio Tempo

Escorrem os dias
No rio dos meus passos.
Vagueio por entre seixos
De onde se soltam sedimentos,
Beijos dados ao sol...
Desaguo em teus braços
Rio que desagua no mar...
Misto de doce e salgado que
Me beija e me morde...

O silêncio da falta a calar o murmúrio do tempo...

sábado, 4 de julho de 2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Escada

Entro em casa e fecho a porta. Ao fundo do corredor, as escadas que sobem em direcção a Ti. Subo o primeiro degrau: um turbilhão de emoções surgem no vazio da minha mente. Subo a seguir, o degrau da Ausência, tão alto!, que os meus passos quase não conseguem alcançar. O degrau da Saudade vem depois, tão estreito que mal me consigo equilibrar. Caio inúmeras vezes sobre a saudade onde fico por momentos, exausta de subir em vão. Lembro Sísifo... Levanto-me e tento subir de novo a Saudade e, chegar ao cimo de Ti!...

Tudo se repetirá...

Mas vale a pena...

Pormenores de Ti...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Ti...


Hoje...
Olho para Ontem,
Um jantar que calou o tempo...

Olho para Ontem e, Ontem, nem imaginava!
Hoje, um sentir que corrompe distâncias...
Hoje, os olhares tocam-se onde o mar acaba...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Entre a chuva...

...o arco-íris faz sobressair a vida e a paixão inerente ao Teu articular espontâneo, movimentos coloridos do Teu Ser curioso. E o verde sente-se na palma dos pés, fresco... corro em direcção ao azul céu e deito-me nele, respiro o aroma violeta da ansiedade.

Flores cobrem os verdes campos... Presente primaveril a exilar o inverno no canto dos momentos excluidos pelo lembrar...

Dance With Me...