Lembro-me de Ti...
Numa aula de Geofísica, a professora reparou no Teu rosto, na Tua altura, na Tua imponência, no meio de tantos outros rostos que preenchiam as cadeiras do anfiteatro. Achou que Te conhecia e perguntou se não serias vizinha dela, ao que respondeste, prontamente
- “Não.”
A aula continuou
- “Atchim!!!”
até o Teu espirro peculiar, estridente, ter irrompido sala adentro. Fez-se silêncio. A professora, que na altura escrevia no quadro, virou-se com a sua calma característica, digna dos seus cabelos brancos
- “Definitivamente não a conheço. Confusão minha”
e, a sala perdeu-se numa gargalhada imensa e contagiante. Olhaste para mim a sorrir também e no Teu rosto desabrochava a rosácea, mostrando o Teu sentido de humor. O início de uma longa, cúmplice amizade.
Tenho saudades, Amiga...
Saudades das tuas gargalhadas únicas, de dançar contigo, dos fins de tarde na esplanada a comer um gelado com fruta.
Todos mudamos, crescemos, amadurecemos, experienciamos momentos que nos dão a forma de hoje. Momentos diferentes nas quatro dimensões.
No entanto, procuras nos outros a fé que existe em Ti. Romântico... e utópico.

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