quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Outono


Pousada sobre a mesa, a minha mão. Os dedos, apontam linhas que se afastam no horizonte.

A primeira mostra os olhos fechados da madrugada, a pureza do cantar dos melros que anunciam o nascer de mais um dia.

Outra, desliza até ao cantar do vento. Traz no cabelo, soltas, as folhas amarelas, vermelhas e castanhas, já maduras, sofrimento desenhado.

A terceira... Colhe as uvas, faz o vinho, frutos de um ano vindouro, dourado.

A quarta, diz-me para não revelar os seus segredos, quer guardar todo o sentir, memórias, num baú metamorfoseado em sólida rocha mármore.

A sensatez da quinta revela a sabedoria da idade, simplesmente não se manifesta.

Linhas que vêm do horizonte...
Juntas, numa mão...

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