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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Sábado à noite...

Foi este o poema que viajou até mim no sábado, ao sabor das conversas do momento...

"Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."

Fernando Pessoa, in "O Cancioneiro"

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Máquina do Tempo


Ontem, em conversa despreocupada com o Ricardo, surgiu a hipótese de ser criada uma máquina do tempo, uma máquina que nos permitisse viajar no tempo de forma invisível, como meros espectadores sem nunca intervir de forma directa. Seria óptimo presenciar momentos passados que traçaram o nosso caminho até ao presente. Mas seria também possível presenciar momentos que continuam a ser uma incógnita nos dias de hoje, que têm a sua própria magia por serem isso mesmo, um mistério.

Seria possível presenciar a batalha de Alcácer Quibir, por exemplo, e conhecer os verdadeiros factos associados ao desaparecimento de D. Sebastião, terminando com o famoso estigma do povo português. E recuando ainda mais no tempo, seria possível descobrir as causas do desaparecimento de civilizações míticas como a Maia, deitando por terra as teorias de uns, vingando as de outros, ou surgiriam até respostas nunca antes imaginadas.

E o que dizer da própria Origem do Homem?

A História seria rescrita com uma maior precisão, isso é certo. Mas também geraria, muito provavelmente, guerras religiosas e/ou políticas, e a História perderia todos os seus enigmas, tão bons de imaginar e essenciais para muitos.

Talvez desse resposta ao verdadeiro objectivo da nossa existência... ou não...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

(Des)Encontro

Café Terrace on the Place du Forum, Arles, at Night
Vincent van Gogh, 1888

Em conversa amena de café com uma amiga, tomo o gosto do momento e sorvo as palavras que nos escorrem entre os curtos silêncios e o saborear de uma água. E no desabafo dos dias, que passam quase sem os vermos, existem pormenores, detalhes que nos fazem sorrir e perceber aromas não sentidos em tempo real.

O rapaz da mesa ao lado observa-nos e contempla a nossa conversa. Olha para a Maria com um entusiasmo adolescente, escondido sob a sua barba madura, e ela sorri-lhe. Segura firmemente a caneta com que escreve letras juntas, que deixam adivinhar o seu pensamento dela...

E a conversa continua. E o silêncio permanece...
Um (des)encontro(?)... Um dia bom que faz sonhar...