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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

São muitos os Velhos do Restelo

É tempo de acordar. Sou equilibrista sem rede.

O público cerca o alvo da possível queda, não se aproxima, tem receio de ser atingido. Não se afasta e os seus olhos estão fixos em mim. Com curiosidade e desconfiança, mascara o desejo de que a queda se concretize. Alguns admitem essa vontade, outros, por acharem não ser pensamento digno de uma natureza "boa", contrariam, oprimem, lutam "contra natura". Mas o desejo está lá, secreto, aguardando o habitual sinal de fraqueza humana, para mostrar o seu verdadeiro carácter, a indomável força de se impor.

E eu, caminho sobre a corda, tão fina quanto comprida, nada esticada, a sorrir com malvadez porque sabe, irei colocar um pé em falso.

Aqui não se ouvem aplausos e há até quem agite os mastros que suportam a corda.

Estranhamente, sinto confiança. Sinto os pés resvalarem sobre a corda mas, sorrio sem cair (pelo menos para já) e não baixo os olhos, nem por um instante.

Não vejo o fim da corda. Não penso em voltar ao sofá que me acena lá em baixo.

Sinto-me capaz de derrubar o espírito do Velho do Restelo...

mesmo que não o seja...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Joie de vivre
Pablo Picasso

Existem momentos na vida - tão almejados! - que, quando reais, revelam ser verdadeiramente assustadores...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ou supero ou supero...


Prova de fogo.

Falhar, é verbo que não existe na gramática de hoje...

Dá-me a mão...

Segreda-me ao ouvido

- “Vai correr tudo bem!”

e sorri-me, calmo...

Um dia bom, talvez amanhã...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Jogo das Escondidas


Arrastei os pés até lá. As minhas mãos sorriam forçadamente. Saíram palavras mudas, que se esconderam logo atrás das costas, tremendo, ansiando que ninguém reparasse nelas. Já passou. Correu bem. As palavras já têm prática neste jogo.