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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Para Ti :)

Numa determinada altura da minha vida conheci-Te.

Estava intimidada: emprego novo, função desconhecida e de responsabilidade. Tive sorte, muita sorte...

Não é no trabalho que se conhecem as melhores pessoas, mas existem excepções a comprovar a regra. Depois do desamparo, do desânimo, da desilusão, de uma equipa individual.

Logo na primeira reunião enganei-me a escrever o Teu nome. Não foi o melhor começo, eu sei, desculpa...

Vimos trapezistas, equilibristas, domadores e feras, enfim, um sem número de artistas de variedades distintas, algumas desconhecidas, julgadas mesmo impossíveis.

Vimos fome, desespero e lágrimas... Nunca vou esquecer o desespero de alguém que luta por manter o seu emprego, ao ponto de se esquecer de si mesmo. Nunca vou esquecer alguém com filhos, com renda, água, luz e gás para pagar e que, de repente, tem apenas salários em atraso e desemprego.

Mas também vimos sorrisos de criança em rostos de adulto. Vimos dançar e ouvimos cantar (bem mal por sinal!).

Sinto muitas saudades...

Do que fazíamos...

Do companheirismo...

Da amizade...

Apoiaste-me, alertaste-me, ensinaste-me...
MUITO!!!

Marcaste-me...

Afinal trabalhar pode ser bom. Afinal existem pessoas boas que trabalham connosco, não contra nós...

Obrigada, Christiane!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

São muitos os Velhos do Restelo

É tempo de acordar. Sou equilibrista sem rede.

O público cerca o alvo da possível queda, não se aproxima, tem receio de ser atingido. Não se afasta e os seus olhos estão fixos em mim. Com curiosidade e desconfiança, mascara o desejo de que a queda se concretize. Alguns admitem essa vontade, outros, por acharem não ser pensamento digno de uma natureza "boa", contrariam, oprimem, lutam "contra natura". Mas o desejo está lá, secreto, aguardando o habitual sinal de fraqueza humana, para mostrar o seu verdadeiro carácter, a indomável força de se impor.

E eu, caminho sobre a corda, tão fina quanto comprida, nada esticada, a sorrir com malvadez porque sabe, irei colocar um pé em falso.

Aqui não se ouvem aplausos e há até quem agite os mastros que suportam a corda.

Estranhamente, sinto confiança. Sinto os pés resvalarem sobre a corda mas, sorrio sem cair (pelo menos para já) e não baixo os olhos, nem por um instante.

Não vejo o fim da corda. Não penso em voltar ao sofá que me acena lá em baixo.

Sinto-me capaz de derrubar o espírito do Velho do Restelo...

mesmo que não o seja...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"Isto"

EntrasTe, já tão longe...

Desvio a cortina do tempo, lembro aquela tarde, naquela sala, ouviste-me dizer a alguém que ansiava saber a nota de V.C. mas só saia à noite. Irrompeste de forma natural, desinterressada, disseste que, como ias ver a tua nota e a de outros colegas, também poderias ver a minha.

Já te conhecia de vista, assim como a tantas outras pessoas do nosso curso. Eras-me indiferente, confesso.

Foi assim que conseguiste o meu número e usaste-o apenas para isso mesmo.

Nos corredores, nas salas, apenas cumprimentos sociais, nada mais...

Passaram 2 anos até ao "então": juntos num trabalho de grupo. As primeiras conversas virtuais, algumas banais outras nem tanto. A ansiedade de Te encontrar online foi crescendo e o sono foi sendo adiado, todas as noites...

Mais um ano.

O primeiro beijo...

Passeios, tantos...

Jantares, vinho e conversas...

Cinema, ópera, fotografia, sol, vento no rosto,
dias "inteiros"...

Houve uma linha de água.

Houve tempo.

Houve encontros, desencontros,
o reencontro...

"Isto"

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

E pronto, é oficial!

"Meu caro leitor!
Se não tens tempo nem oportunidade para consagrar uma dezena de anos da tua vida a uma viagem em volta do mundo para observar tudo o que um circunavegador pode aprender; se te falta, por não teres estudado por muito tempo as línguas estrangeiras, os dons e os meios de te iniciar nas mentalidades diversas dos povos que se relevam aos cientistas; se não pensas em descobrir um novo sistema astronómico que suprima de Copérnico, bem como o de Ptolomeu - então casa-te; e mesmo que tenhas tempo para viajar, dons para os estudos e a esperança de fazer descobertas, casa-te do mesmo modo. Tu não te arrependerás, ainda que isso te impeça de conheceres todo o globo terrestre, de te exprimires em muitas línguas e de compreenderes o espaço celeste; pois o casamento é e continuará a ser a viagem da descoberta mais importante que o homem pode empreender; qualquer outro conhecimento da vida, comparado ao de um homem casado, é superficial, pois ele e só ele penetrou verdadeiramente na existência."

Emmanuel Kant in "Considerações sobre o Casamento em Resposta a Objecções"

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Contra-corrente

O desânimo que sentes passa para mim, osmose que acontece durante a tristeza teclada por Ti. Só a esperança do amanhã move o meu rosto: como que orgulhoso de Nós, obriga os lábios a mostrar felicidade.

Agarra essa corda
Atiro agora para as Tuas mãos.
Agarra-Te com força
Com a força que Te resta...
Segue-a até à bóia
Flutua e aguarda, serena,
A Tua chegada.
Apoia-Te nela...
Senta-Te nela...
Sozinha, ela trazer-Te-á até mim
Através do mar escuro,
Profundo, violento,
Mas já tão curto...

Adormece...
Chegarás ao destino depressa...