segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Nevoeiro

"Automat" by Edward Hopper (1927)

Passo os dedos esguios pelos cabelos, soltam-se suspiros de cansaço nos escassos tempos claros. Procuro letras que descrevam o que espero: é o que não espero...

Na chávena de café, vejo reflectida a memória de aroma quente, o branco reflectido no escuro. Trago o aroma negro, sentindo-lhe as notas silvestres, frescas que desvendam a vergonha que me tapa os olhos. Tateio as teclas de algodão, doce paladar que me turva o sentir...

Invoco a esperança que me quer deixar, suplico-lhe...


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Noite

"Lovers" by Gustav Klimt, 1908

Paira no ar a leveza do Teu odor…

A minha pele denuncia a Tua presença nas memórias da cama desfeita. Apago a luz e abraço-Te, forte. Degusto o mel da Tua boca e o sal dos Teus olhos. O silêncio amargo estremece o chão de palha que me sustem…

Paira no ar o fumo do cigarro que não fumasTe…

Escorrem nas paredes secas as palavras não ditas…

É o tormento do silêncio…

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Festa

"After the party" by Andy Warhol, 1979

Vem o silêncio, o vazio. Ficam os ecos, as gargalhadas, as piadas, o telintar dos copos... As horas tardias derramadas no chão quente, que emana os cheiros da chegada da ausência.

Os olhos repousam num copo meio cheio de nada...

Noite louca...

...noite oca...

                      ...de senso, sentido...

Murmúrio calado irrompe no silêncio da madrugada.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

70 anos



Parabéns, Caetano!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Erosão


Foto by Ana Sacramento

Há momentos na vida que se revelam efémeros, mesmo na memória. Porque são fúteis, porque são iguais, porque lembram o esquecer do gesto marcado pela indiferença do comum... A erosão do tempo revela-se implacável.




terça-feira, 11 de maio de 2010

On/Off

Gostava que cada um dos meus pensamentos tivesse um botão "On/Off"...
Neste momento, optaria por desactivá-los a todos!...
Quadro geral: OFF!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Para Ti :)

Numa determinada altura da minha vida conheci-Te.

Estava intimidada: emprego novo, função desconhecida e de responsabilidade. Tive sorte, muita sorte...

Não é no trabalho que se conhecem as melhores pessoas, mas existem excepções a comprovar a regra. Depois do desamparo, do desânimo, da desilusão, de uma equipa individual.

Logo na primeira reunião enganei-me a escrever o Teu nome. Não foi o melhor começo, eu sei, desculpa...

Vimos trapezistas, equilibristas, domadores e feras, enfim, um sem número de artistas de variedades distintas, algumas desconhecidas, julgadas mesmo impossíveis.

Vimos fome, desespero e lágrimas... Nunca vou esquecer o desespero de alguém que luta por manter o seu emprego, ao ponto de se esquecer de si mesmo. Nunca vou esquecer alguém com filhos, com renda, água, luz e gás para pagar e que, de repente, tem apenas salários em atraso e desemprego.

Mas também vimos sorrisos de criança em rostos de adulto. Vimos dançar e ouvimos cantar (bem mal por sinal!).

Sinto muitas saudades...

Do que fazíamos...

Do companheirismo...

Da amizade...

Apoiaste-me, alertaste-me, ensinaste-me...
MUITO!!!

Marcaste-me...

Afinal trabalhar pode ser bom. Afinal existem pessoas boas que trabalham connosco, não contra nós...

Obrigada, Christiane!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

São muitos os Velhos do Restelo

É tempo de acordar. Sou equilibrista sem rede.

O público cerca o alvo da possível queda, não se aproxima, tem receio de ser atingido. Não se afasta e os seus olhos estão fixos em mim. Com curiosidade e desconfiança, mascara o desejo de que a queda se concretize. Alguns admitem essa vontade, outros, por acharem não ser pensamento digno de uma natureza "boa", contrariam, oprimem, lutam "contra natura". Mas o desejo está lá, secreto, aguardando o habitual sinal de fraqueza humana, para mostrar o seu verdadeiro carácter, a indomável força de se impor.

E eu, caminho sobre a corda, tão fina quanto comprida, nada esticada, a sorrir com malvadez porque sabe, irei colocar um pé em falso.

Aqui não se ouvem aplausos e há até quem agite os mastros que suportam a corda.

Estranhamente, sinto confiança. Sinto os pés resvalarem sobre a corda mas, sorrio sem cair (pelo menos para já) e não baixo os olhos, nem por um instante.

Não vejo o fim da corda. Não penso em voltar ao sofá que me acena lá em baixo.

Sinto-me capaz de derrubar o espírito do Velho do Restelo...

mesmo que não o seja...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O lado colorido do Natal


"Rocking horse"
Norman Rockwell

Algo me diz que existem muitos "Pais Natal" como este...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Sábado à noite...

Foi este o poema que viajou até mim no sábado, ao sabor das conversas do momento...

"Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."

Fernando Pessoa, in "O Cancioneiro"

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"Isto"

EntrasTe, já tão longe...

Desvio a cortina do tempo, lembro aquela tarde, naquela sala, ouviste-me dizer a alguém que ansiava saber a nota de V.C. mas só saia à noite. Irrompeste de forma natural, desinterressada, disseste que, como ias ver a tua nota e a de outros colegas, também poderias ver a minha.

Já te conhecia de vista, assim como a tantas outras pessoas do nosso curso. Eras-me indiferente, confesso.

Foi assim que conseguiste o meu número e usaste-o apenas para isso mesmo.

Nos corredores, nas salas, apenas cumprimentos sociais, nada mais...

Passaram 2 anos até ao "então": juntos num trabalho de grupo. As primeiras conversas virtuais, algumas banais outras nem tanto. A ansiedade de Te encontrar online foi crescendo e o sono foi sendo adiado, todas as noites...

Mais um ano.

O primeiro beijo...

Passeios, tantos...

Jantares, vinho e conversas...

Cinema, ópera, fotografia, sol, vento no rosto,
dias "inteiros"...

Houve uma linha de água.

Houve tempo.

Houve encontros, desencontros,
o reencontro...

"Isto"

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

E pronto, é oficial!

"Meu caro leitor!
Se não tens tempo nem oportunidade para consagrar uma dezena de anos da tua vida a uma viagem em volta do mundo para observar tudo o que um circunavegador pode aprender; se te falta, por não teres estudado por muito tempo as línguas estrangeiras, os dons e os meios de te iniciar nas mentalidades diversas dos povos que se relevam aos cientistas; se não pensas em descobrir um novo sistema astronómico que suprima de Copérnico, bem como o de Ptolomeu - então casa-te; e mesmo que tenhas tempo para viajar, dons para os estudos e a esperança de fazer descobertas, casa-te do mesmo modo. Tu não te arrependerás, ainda que isso te impeça de conheceres todo o globo terrestre, de te exprimires em muitas línguas e de compreenderes o espaço celeste; pois o casamento é e continuará a ser a viagem da descoberta mais importante que o homem pode empreender; qualquer outro conhecimento da vida, comparado ao de um homem casado, é superficial, pois ele e só ele penetrou verdadeiramente na existência."

Emmanuel Kant in "Considerações sobre o Casamento em Resposta a Objecções"

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pause

Já há algum tempo que não ouvia este CD... Soube bem este momento para mim, ultimamente não têm sido muitos...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ainda aqui estou!

Já alguma vez se sentiram estupidamente inúteis? É como me tenho sentido ultimamente...