quinta-feira, 11 de junho de 2009

Passado e Presente

No fim de mais um dia, há uma imagem que retenho na memória:

Um dia quente de verão onde o pensamento reflecte a luz branca do dia que encandeia os olhares mais atentos.

A viagem foi longa e a estrada transpirava, ali deitada, como que a adivinhar o meu destino. As árvores, num gesto cansado, acenavam à minha passagem e desenhavam no céu um rasto verde aguarela, na sua lentidão, tão natural...

Chego a casa. Abre a porta num misto de surpresa e de tristeza, procura o conforto nos meus olhos, nos meus braços, no conhecimento do meu saber... Chora o desespero do passado e o alívio do presente... O sofrimento dos últimos meses está vincado nas suas, nas minhas mãos que se contorcem na tentativa de se acalmarem uma à outra. É inútil... Todas as palavras não chegam para alcançar tamanha dor. Permaneço calada, fechada no meu ermo, no desconforto dos anos passados, no conforto do silêncio, tão familiar...

O cheiro a morte invade-me a memória, trazendo até ela, até mim o que não quero lembrar... O que não quero esquecer... Ouvem-se murmúrios de lamentos, palavras vãs que apenas vincam a dor no peito de quem se quer acalmar... As flores, os choros, os sussurros, os gestos cínicos de quem aproveita para reencontrar alguém que já não vê

- ... há dois anos? Três? O tempo passa... E são precisas estas desgraças para nós encontrarmos..."

Vêem-se sorrisos, ouvem-se gargalhadas que, logo se fecham ao ver o sofrimento passar a seu lado.

Sento-me calada e observo as hortênsias, tão lindas!, que suavizam o vento, solto pelo avançar do sol no horizonte..

Sem comentários: